PREVENÇÃO
Por Luiz Brandão
20 de julho de 2026 às 11:43 ▪ Atualizado há 14 horas
A morte do vereador Odeilton Neno da Costa (PT), do município de Regeneração (PI), vítima de ataque de um enxame de abelhas, serve como um triste alerta sobre os riscos da convivência com esses insetos, essenciais para o equilíbrio ambiental, mas que podem se tornar letais quando se sentem ameaçados.
O parlamentar, de 48 anos, morreu no início da noite de domingo (19) no Hospital de Doenças Tropicais Natan Portella, em Teresina. Ele estava internado desde sexta-feira (17), quando foi atacado durante a medição de um terreno no bairro Jaicó, em Regeneração.
Segundo relatos, Odeilton estava acompanhado de outros servidores, que conseguiram escapar. O vereador, no entanto, foi cercado pelo enxame e sofreu uma quantidade impressionante de ferroadas. Testemunhas afirmaram que seu corpo ficou praticamente coberto pelos insetos. Apesar de ter apresentado uma pequena melhora no sábado, seu quadro se agravou no domingo, com pelo menos três paradas cardíacas.
Por que as abelhas atacam?
Ao contrário do que muitos imaginam, as abelhas não são insetos agressivos por natureza. "Elas só atacam quando percebem que sua colmeia está ameaçada", explicam os especialistas no assunto. Na verdade, são seres pacíficos quando estão coletando néctar e pólen em flores, raramente prestando atenção em humanos.
O problema surge quando alguém se aproxima de uma colmeia. Nesse momento, abelhas guardas detectam a ameaça e liberam um feromônio que alerta todo o enxame para atacar o mesmo alvo. Situações que podem desencadear um ataque incluem:
1. Vibrações e barulhos: uso de cortadores de grama, motores, obras ou até pisadas fortes perto da colmeia
2. Cheiros fortes: suor, perfumes intensos, álcool e até fumaça podem irritar os insetos
3. Perturbação do ninho: reformas em telhados, remoção de entulhos ou animais mexendo no local
Dados preocupam
Os incidentes com abelhas têm se tornado mais frequentes. Nós últimos anos, o Ministério da Saúde registrou milhares de acidentes por picadas de abelhas no Brasil.
O período de estiagem agrava a situação. Com as queimadas e a destruição de habitats naturais, enxames são forçados a migrar para áreas urbanas em busca de novos abrigos, aumentando o contato com humanos. Na primavera e no verão, as colônias ficam mais populosas, o que torna os ataques ainda mais perigosos.

Diante do aumento de casos, especialistas recomendam cuidados essenciais:
Como evitar um ataque:
· Mantenha distância de colmeias e enxames
· Ao avistar um enxame, afaste-se com calma, sem movimentos bruscos
· Não tente remover colmeias por conta própria — acione o Corpo de Bombeiros pelo 193 ou um apicultor especializado
· A destruição de colmeias sem autorização é proibida pela Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998)
O que fazer em caso de ataque
1. Corra em zigue-zague e busque abrigo em local fechado (casa, veículo ou comércio)
2. Não tente matar as abelhas, porque isso libera mais feromônio e atrai outras
3. Proteja o rosto e o pescoço, áreas mais sensíveis do corpo
Primeiros socorros para picadas
· Remova os ferrões por raspagem com uma lâmina ou cartão, jamais com pinças ou dedos — apertar libera mais veneno
· Lave o local com água e sabão
· Aplique compressas frias para reduzir dor e inchaço
Quando procurar atendimento médico
Busque ajuda imediata em caso de:
· Múltiplas picadas
· Falta de ar, inchaço na garganta ou dificuldade para respirar
· Queda de pressão, tontura ou desmaio
· Reações alérgicas, que podem ocorrer mesmo com uma única picada
Crianças são especialmente vulneráveis devido ao menor tamanho corporal, o que intensifica o efeito do veneno.
Um alerta para a convivência urbana
A morte do vereador Odeilton Neno da Costa é uma tragédia que poderia ter sido evitada com conhecimento e prevenção. As abelhas são aliadas indispensáveis do meio ambiente. Elas são responsáveis pela polinização de plantas e pela manutenção da biodiversidade. O desafio é aprender a conviver com elas de forma segura, respeitando seu espaço e adotando medidas de proteção.
A Prefeitura de Regeneração lamentou a morte do parlamentar, que também atuava como fiscal de tributos do município. Familiares, amigos e moradores da cidade estão consternados com a perda.

Fonte: Especialistas
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