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LUTO NO JORNALISMO

Morre Carlos Monforte, jornalista pioneiro do telejornalismo brasileiro, aos 77 anos

Profissional teve mais de quatro décadas de carreira, passou pela Globo e ajudou a consolidar o modelo de âncora no Brasil

Da Redação

31 de agosto de 2026 às 10:41 ▪ Atualizado há 51 minutos


Reprodução Carlos Monforte
Carlos Monforte

O jornalista Carlos Monforte morreu nesta segunda-feira (31), aos 77 anos. Com mais de quatro décadas de carreira, o profissional foi um dos pioneiros do modelo de âncora no telejornalismo brasileiro e teve uma trajetória marcada por passagens por alguns dos principais noticiários da Globo. Ele estava em tratamento contra um câncer.

Nascido em Santos, no litoral de São Paulo, Carlos Monforte iniciou a carreira como repórter no jornal A Tribuna, antes mesmo de concluir a faculdade de Jornalismo. Formou-se em 1972 e, posteriormente, trabalhou na Secretaria de Obras do Estado de São Paulo.

Entre 1973 e 1978, atuou como repórter especial de O Estado de S. Paulo. Durante esse período, buscou aperfeiçoamento profissional no exterior, realizando cursos na Universidade de Navarra, na Espanha, e na Fundação Beauve Marie, na França.

Carlos Monforte chegou à Globo em 1978

A trajetória de Carlos Monforte na televisão começou em 1978, quando foi convidado por profissionais da redação da Globo em São Paulo para integrar a emissora. Inicialmente, trabalhou como repórter local e participou de coberturas para o Jornal Nacional e o Fantástico.

Entre os acontecimentos que cobriu estavam as greves dos metalúrgicos do ABC paulista. A adaptação ao trabalho na televisão, no entanto, exigiu um período de aprendizado.

“Foi um susto. Eu confesso que tive de passar dois anos para aprender televisão”, contou o jornalista ao recordar o início de sua trajetória na emissora, segundo o Memória Globo.

Em 1982, Monforte assumiu a editoria de Política do Jornal da Globo e também passou a apresentar o Bom Dia São Paulo. No ano seguinte, com a criação do Bom Dia Brasil, tornou-se editor-chefe e apresentador do telejornal.

Ele permaneceu à frente do programa durante nove anos. Naquele período, o noticiário tinha forte foco em política e economia e realizou centenas de entrevistas com políticos e empresários.

Pioneiro no modelo de âncora

Além da atuação diante das câmeras, Carlos Monforte teve papel importante na consolidação de um modelo de apresentação jornalística no Brasil em que o âncora também participava diretamente da edição e da definição do conteúdo do telejornal.

O jornalista explicava que o modelo brasileiro apresentava características próprias em relação à tradição norte-americana.

“No Brasil, o âncora é o editor-chefe: ele comanda, diz o que entra no jornal, qual será a sequência dos blocos”, explicou.

A atuação de Monforte ajudou a estabelecer uma forma de apresentação em que o jornalista não era apenas responsável pela leitura das notícias, mas também participava das decisões editoriais do programa.

Carreira foi marcada pela cobertura política

Carlos Monforte deixou a Globo em 1992 para montar o departamento de Comunicação da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Permaneceu na instituição durante dois anos e, posteriormente, retornou à emissora.

De volta à Globo, passou a trabalhar como repórter especial em Brasília, onde participou de importantes coberturas políticas. Entre os trabalhos realizados estavam entrevistas com o então presidente Fernando Henrique Cardoso, reportagens sobre o Movimento dos Sem-Terra, a CPI do narcotráfico e o chamado “Custo Brasil”.

Em 1998, Monforte iniciou uma nova etapa da carreira na GloboNews. Na emissora de notícias, comandou o programa Espaço Aberto, no qual entrevistou autoridades e personalidades sobre assuntos como segurança pública, reforma tributária, responsabilidade fiscal e queimadas na Amazônia.

No final de 2000, assumiu a coordenação da GloboNews em Brasília. Também apresentou o Jornal das Dez e participou de outros programas da emissora.

Ao longo de mais de 40 anos de carreira, Carlos Monforte construiu uma trajetória ligada principalmente ao jornalismo político e à televisão. Sua atuação como repórter, editor-chefe e apresentador marcou diferentes fases do telejornalismo brasileiro.

Fonte: O Globo