RECUPERAÇÃO

Justiça autoriza Ricardo Eletro a apresentar Plano de Recuperação Judicial

Empresa dará prioridade às indenizações trabalhistas e concentrará vendas no Comércio Eletrônico


Ricardo Eletro

Ricardo Eletro Foto: Divulgação

O juiz Tiago Henriques Papaterra Limongi, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central da Comarca de São Paulo/SP deferiu nesta segunda-feira o processamento da Recuperação Judicial da empresa Máquina de Vendas - controladora da Ricardo Eletro e de outras empresas do varejo. O pedido de Recuperação Judicial foi protocolado na última sexta-feira.

O Juiz designou como Administrador Judicial o escritório Laspro Consultores LTDA, de São Paulo, representado pelo advogado Oreste Nestor de Souza Laspro. Com a decisão, a Máquina de Vendas tem o prazo de 60 dias corridos para apresentar o Plano de Recuperação Judicial para posterior deliberação dos credores, que poderá ocorrer em sede de Assembleia Geral de Credores caso haja alguma objeção ao Plano de Recuperação Judicial apresentado. Para elaboração do Plano de Recuperação Judicial, a empresa contratou a Pantalica Partners, representada pelo sócio Salvatore Milanese, para toda assessoria financeira.

A Ricardo Eletro tem como uma das prioridades a liberação dos recursos retidos judicialmente para efetuar o pagamento dos créditos trabalhistas, especialmente dos funcionários demitidos nas últimas semanas, em virtude do fechamento das lojas físicas em razão da pandemia, que levou a empresa a adotar novo modelo de negócios que está sendo implementado pela empresa para seguir com o comércio digital e com lojistas parceiros. O juiz também suspendeu por 180 corridos dias as ações e execuções contra as empresas do grupo Máquina de Vendas, além dos prazos prescricionais.

Comércio Eletrônico

Na sexta-feira, ao divulgar o pedido de Recuperação Judicial, a Ricardo Eletro anunciou um novo modelo de vendas, concentrado em meios digitais e em parcerias, inclusive de outras lojas que queiram vender produtos da empresa. Todas as lojas físicas próprias serão fechadas ainda neste mês e as vendas continuarão sendo feitas pelo site e por aplicativos de parceiros e funcionários, além de outras lojas que aderirem ao modelo.

Em paralelo ao anúncio feito ao mercado, o presidente da empresa, Pedro Bianchi, distribuiu uma mensagem em vídeo aos cerca de 2 mil funcionários e parceiros em atividade, convocando-os para avançarem na nova forma de fazer vendas. "Estamos fazendo nascer a nova Ricardo Eletro". Bianchi explicou que a companhia está aberta a receber parceiros de todo o país, aprofundando sua presença regional, ainda mais próxima dos consumidores.

Os atuais administradores da Ricardo Eletro adquiriram o controle da empresa no ano passado e desenvolviam um programa de recuperação financeira, quando veio a pandemia de Covid-19, que trouxe efeitos para a varejista já em janeiro deste ano. Houve um forte impacto sobre a empresa e sobre todo o setor varejista. A companhia passou a enfrentar dificuldades no recebimento de produtos da China, onde começou a doença, e que eram destinados à renovação de estoques. Em seguida, houve um estrangulamento de caixa provocado pelas necessárias medidas de distanciamento social também no Brasil.

Esses fatos comprometeram os esforços de reestruturação que a Máquina de Vendas vinha empreendendo. Nesse contexto, a alternativa da recuperação judicial mostrou-se o caminho mais viável para que a empresa continuasse com suas operações normalmente e promovesse a reorganização administrativa e financeira necessária. A reestruturação visa a superar a situação momentânea de crise e também a ajustar estruturalmente a empresa para a nova realidade do varejo, no pós-pandemia.

Desde março, a Ricardo expandiu suas áreas de atuação, passando a integrar parceiros de marketplace que antes não faziam parte do negócio central, como linhas médicas e alimentícias. Agora, em paralelo à recuperação judicial, está sendo lançado um novo modelo de negócio, por meio do qual qualquer pessoa, empresa ou loja terá a possibilidade de vender os produtos da empresa, aproveitar a marca, a malha logística e toda estrutura digital da Ricardo Eletro para se tornar sua parceira

SOBRE A MÁQUINA DE VENDAS

A Máquina de Vendas é uma das maiores empresas do varejo brasileiro. Controladora de redes como Ricardo Eletro, Insinuante, Salfer, City Lar e EletroShopping, conta com ampla rede de estrutura para atender seus clientes, sendo a empresa responsável por democratizar o acesso ao consumo no Brasil. Sua missão agora é democratizar o acesso à internet para as classes menos favorecidas, adotando um novo modelo de negócio para estar onde o cliente está. Mesmo com o fechamento das lojas físicas que foi causado pelos efeitos da pandemia, a empresa decidiu focar na interoperabilidade e no modelo de parceria, somado à força do seu site. Em agosto de 2020, são mais de 2.000 mil colaboradores diretos e parceiros e mais de 160 mil itens disponíveis em canais de venda.

Desde o segundo semestre de 2019, o controle da Máquina de Vendas foi assumido por seus atuais administradores, em operação de mercado comumente conhecida como management buyout (MBO).

Fonte: Jamerson José Murta Junior

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