ENTREVISTA
Dulce Luz
31 de março de 2026 às 16:19
A oferta de capacitações gratuitos tem aproximado mais pessoas do universo da meliponicultura, que é a criação de abelhas nativas sem ferrão. Além de gerar conhecimento, os cursos também incentivam práticas sustentáveis e ajudam a combater a desinformação sobre esses animais, muitas vezes vistos apenas como perigosos. Durante a entrevista ao Podcast Papo Eco, a bióloga e instrutora do Senar Sandra Souza explica que as abelhas são responsáveis por um processo essencial para a vida: a polinização. É por meio desse trabalho que flores se transformam em frutos, garantindo alimentos para humanos e outros animais. Sem as abelhas, a produção de alimentos seria diretamente afetada.
Em conversa com os apresentadores do programa, a educadora ambiental Naisis Castelo Branco e o biólogo Professor Ribamar Rocha, a especialista também destaca a relação entre as abelhas nativas e as plantas da região. Um exemplo é a imburana de cambão, árvore típica do Piauí que serve de abrigo e fonte de alimento para diversas espécies. Em uma única árvore, podem viver até 20 tipos diferentes de abelhas, mostrando a importância de preservar a vegetação nativa para manter esse equilíbrio. A planta é reconhecida por sua grande capacidade de adaptação às secas, soltando cascas finas que parecem papel e sendo um tesouro da biodiversidade local. É uma espécie que se propaga facilmente por estaquia e é ideal para projetos de reflorestamento em áreas degradadas.

Ela alerta que, mesmo com esse papel fundamental, as abelhas enfrentam uma queda preocupante. Entre as principais causas estão o desmatamento, as queimadas, o uso de agrotóxicos e as mudanças no clima. Esses fatores reduzem os locais de abrigo e interferem na disponibilidade de alimento, além de afetar o comportamento das abelhas. “Quando você desmata, você reduz tanto o alimento quanto os lugares onde elas vão morar. As queimadas também matam abelhas que vivem no solo, e os agrotóxicos podem matar ou deixar elas desnorteadas, sem conseguir voltar para a colmeia”, diz.

As consequências desse cenário já preocupam. “Nosso principal impacto seria na produção de alimentos, porque tudo depende da polinização. Se as abelhas diminuem, a produção também diminui”, alerta. Ela cita ainda que algumas culturas dependem de espécies específicas. “No caso do maracujá, por exemplo, quem faz a polinização é uma abelha específica. Sem ela, não tem fruto", alerta a especialista.
Snadra ressalta que a preservação das abelhas é responsabilidade de todos. “Se as abelhas falassem, elas diriam: plantem plantas nativas”, afirma. Segundo ela, atitudes simples podem contribuir para proteger esses insetos e garantir o equilíbrio da natureza.
Para acompanhar a entrevista completa, acesse o canal do Portal Piauí Hoje no Youtube, clicando abaixo:
JOVENS SEM HABILITAÇÃO
NOVO NOME
MOBILIDADE
ZONA RURAL
IRREGULARIDADES
MOBILIZAÇÃO