A busca por procedimentos de estética íntima feminina tem crescido e já faz parte da rotina de consultórios de cirurgia plástica em Teresina. O tema, ainda cercado por tabus, foi destaque em entrevista da cirurgiã plástica Mariana Rebelo ao podcast Papo de Jaleco, apresentado pela jornalista Malu Barreto, no estúdio do Portal Piauí Hoje. A cirurgia mais procurada atualmente é a ninfoplastia, procedimento que reduz os pequenos lábios vaginais. As outras opções são preenchimento com gordura, lipoaspiração do monte de Vênus e tratamentos a laser para melhorar a qualidade da pele da região.
Segundo a especialista, a procura não está ligada apenas à estética. Em muitos casos, há desconforto físico e emocional. “Nunca é só estética. Aquilo incomoda, mas a dor é muito mais profunda. A pessoa não se sente confortável no próprio corpo”, explicou. Ela relatou que algumas pacientes sentem dor ao usar roupas apertadas ou ficam inseguras em situações simples do dia a dia. “Elas dizem que, quando usam uma calça jeans, sentem como se estivesse beliscando. Isso gera insegurança até para usar um biquíni.”
A cirurgia mais procurada atualmente é a ninfoplastia, que reduz os pequenos lábios vaginais
Outro ponto abordado durante a entrevista foi a presença de mitos relacionados à região íntima feminina. Mariana Rebelo reforçou que não há relação entre o tamanho dos pequenos lábios e a vida sexual. “Isso é um mito, um preconceito que faz muitas mulheres se sentirem julgadas”, disse. A médica também chamou atenção para a diversidade natural do corpo feminino. “Não existe um padrão. É uma anatomia muito variável. A paciente pode ter e não sentir nada, e aí não precisa operar”, ressaltou.
A idade das pacientes que fazem procedimentos íntimos varia bastante. Há casos de jovens que já apresentam incômodo desde a adolescência, assim como mulheres mais velhas, especialmente após a menopausa. “Tem pacientes de 18 anos até pacientes depois da menopausa. É muito variado”, afirmou. Ela explica que, no caso das mais jovens, o ideal é aguardar o fim do desenvolvimento corporal e, sempre que possível, a maioridade.
Sobre a ninfoplastia, a cirurgiã explicou que a cirurgia pode ser feita tanto em consultório quanto em hospital, dependendo do caso. O tempo médio é de cerca de uma hora. “No centro cirúrgico, a paciente dorme e, quando acorda, o procedimento já acabou”, relatou. O pós-operatório, segundo ela, costuma ser mais tranquilo do que muitas pacientes imaginam. “O que mais incomoda é o inchaço nos primeiros dias.”
Procedimentos íntimos incluem preenchimento com gordura, lipoaspiração do monte de Vênus, entre outros
A recuperação também é rápida. A retomada da atividade sexual, por exemplo, pode acontecer cerca de um mês após a cirurgia, com os devidos cuidados. A médica ainda destacou que o procedimento não altera a sensibilidade. “Não interfere, porque é feito nos lábios. Não afeta o clitóris”, explicou.
Uso de hormônios
Durante a entrevista, Mariana Rebelo também comentou sobre o aumento de casos relacionados ao uso de hormônios, como testosterona, que podem provocar alterações na região íntima. Segundo ela, esses efeitos podem ser permanentes. “ Dependendo do caso, pode ser necessária uma cirurgia mais delicada”, afirmou. Além dos aspectos físicos, a médica ressaltou o impacto emocional do procedimento. Muitas pacientes enfrentam vergonha e medo de julgamento antes de buscar ajuda. “Elas quebram várias barreiras para chegar até a cirurgia. Existe muito tabu ainda”, disse.
Relatos de pacientes mostram como a questão pode afetar a autoestima. A cirurgiã contou o caso de uma mulher que passou a se sentir extremamente constrangida após um comentário durante um procedimento estético. “Ela disse que nunca tinha sentido incômodo, mas aquilo acabou com ela”, relembrou. Após a cirurgia, segundo a médica, a paciente recuperou a confiança. “Ela falou da melhora da segurança, da confiança. Disse que agora faria as coisas sem vergonha.”
De acordo com especialistas, a cirurgia íntima deve ser sempre uma escolha consciente, baseada no bem-estar da paciente. A recomendação é buscar orientação médica, esclarecer dúvidas e entender todas as possibilidades antes de qualquer decisão. “O processo começa na consulta. É ali que a paciente entende tudo, tira dúvidas e decide com segurança”, destacou Mariana Rebelo.
Acompanhe a entrevista completa no canal do Portal Piauí Hoje no Youtube, clicando abaixo:
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