PAPO DE JALECO
Redação
03 de junho de 2026 às 07:54
A busca pela cirurgia plástica passou por uma transformação radical nos últimos meses, impulsionada pelo uso de medicamentos injetáveis voltados ao emagrecimento rápido. Durante entrevista conduzida pela jornalista Malu Barreto e pelo médico Dr. Anatole Borges no podcast Papo de Jaleco, o cirurgião plástico Dr. Márcio Passos destacou que a chegada de tecnologias farmacológicas mudou o perfil de quem busca as clínicas. Se antes a cirurgia bariátrica era o principal caminho de pacientes com grande perda de peso, hoje as canetas emagrecedoras assumiram o protagonismo, deixando um novo desafio para os cirurgiões: tratar a flacidez decorrente de perdas rápidas de gordura.
“O assunto é muito atual agora, principalmente com a chegada do Mounjaro, que é um medicamento que melhorou muito a qualidade de vida de muitas pessoas. No consultório, o que a gente observa? As meninas estão mais magras, mais bacanas e mais vaidosas. Elas conseguiram emagrecer e agora querem aquela complementação, que é aquela gordurinha que não saiu mesmo com o Mounjaro, muitas vezes uma flacidez, um excesso de pele na mama ou na barriga”, explicou Dr. Márcio Passos.
O especialista ressaltou que até mesmo os maridos têm acompanhado as esposas no uso das medicações e na posterior busca por lipoesculturas e tratamentos corporais. Para dar conta desse novo volume de flacidez tecidual, a medicina evoluiu com tecnologias associadas, como o Argoplasma (jato de plasma com argônio) e o Morpheus (radiofrequência microagulhada). No entanto, o cirurgião faz um alerta realista de que a tecnologia atua como ótima coadjuvante, mas não opera milagres isolados: em casos de grande perda de tecido, os cortes cirúrgicos tradicionais continuam sendo indispensáveis.
Maternidade e a técnica "Mila" por vídeo para corrigir a diástase
Outro público cativo e fiel das clínicas de cirurgia plástica são as mulheres que passaram pela experiência da gestação e desejam readequar o corpo após o ciclo da maternidade. Dr. Anatole Borges, que atua na área de obstetrícia e reprodução humana, pontuou no debate as alterações anatômicas causadas por uma gravidez. Diante disso, Dr. Márcio Passos revelou que a cirurgia campeã em seu consultório em Teresina é a mastopexia, procedimento utilizado para levantar as mamas que cederam, seguida de perto pela lipoescultura associada à abdominoplastia, focando na correção da diástase (afastamento dos músculos abdominais).
Uma das grandes novidades apresentadas pelo cirurgião para contornar o medo que muitas mulheres têm das extensas cicatrizes de uma abdominoplastia convencional é a técnica conhecida como Mila. Trata-se de um procedimento feito inteiramente por vídeo (laparoscopia) e de forma minimamente invasiva, ideal para pacientes que possuem o afastamento muscular, mas não têm um excesso de pele tão severo.
“Essa correção de hoje, além de ser aberta na abdominoplastia, tem uma técnica mais moderna que é feita por vídeo, chamada Mila. Se o excesso de pele não for tão grande e ela tem uma diástase, aquele abaulamento na barriga, a gente pode fazer a sutura por vídeo. Associado à Mila, a gente usa tecnologias de retração para fugir daquela cicatriz que vai de um lado ao outro do quadril”, detalhou o cirurgião.
A ilusão do Instagram e os perigos da cirurgia "X-Tudo"
A entrevista tomou um tom mais crítico e de prestação de serviço quando os apresentadores abordaram a pressão estética vinda das redes sociais e os limites de segurança dentro do centro cirúrgico. Questionado por Malu Barreto sobre a famosa cirurgia Mommy Makeover, apelidada popularmente de "X-Tudo", onde a paciente tenta operar mamas, abdômen e fazer lipoaspiração em uma única anestesia, Dr. Márcio Passos foi enfático ao defender que prefere realizar procedimentos de forma parcelada, colocando sempre a segurança e a vida em primeiro lugar, mas que é possível sim, após uma análise individual de cada caso.
O médico também alertou o público piauiense a desconfiar de promessas milagrosas veiculadas no Instagram, de profissionais que prometem resultados idênticos ao corpo de influenciadoras ou que ostentam milhares de "vidas transformadas" em poucos anos de carreira. Para ele, o bom profissional deve saber dizer "não" e alinhar expectativas reais com o biotipo único de cada paciente.
“Cada pessoa é única e tem que ter muito cuidado com propaganda do Instagram, falsas promessas. Às vezes você vê muitos milagres e na vida real não é assim. Cuidado com aquele profissional que concorda totalmente com você só para fechar um procedimento. O cirurgião que vira para você e fala que nunca teve uma complicação é porque não opera. A grande diferença está entre o cirurgião que tem a complicação, abraça o caso e resolve, e aquele que não dá atenção. Na medicina, o barato sai caro”, concluiu o especialista.
Ao final do bloco, respondendo a perguntas dos ouvintes sobre cicatrizes na mama, o cirurgião explicou que a escolha entre as incisões em "L" (cicatriz reduzida) ou em "T" invertido depende exclusivamente do grau de flacidez da paciente e da necessidade ou não de inclusão de próteses de silicone para o preenchimento de volume.
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