ESPETÁCULO

Caco Ciocler: fazer Jesus é um dos sonhos da minha vida

Para Caco, voltar a Nova Jerusalém para fazer o papel de Jesus é um presente


Caco, Christine, Lúcio, Carlos Reis

Caco, Christine, Lúcio, Carlos Reis Foto: Divulgação

O ator Caco Ciocler, que fez Judas na Paixão de Cristo em 2012, afirma que seu retorno à Nova Jerusalém para temporada 2020, que será realizada de 4 a 11 de abril no maior teatro ao ar livre do mundo, localizado em Brejo da Madre de Deus (PE), a 180 km do Recife, é importante para ele em vários aspectos.

Ciocler, que foi ao Recife gravar o áudio do espetáculo e está em Nova Jerusalém participando da produção dos filmes promocionais do espetáculo, revela que interpretar Jesus sempre foi um dos sonhos de sua vida. "Sou judeu de nascença e vivo sob os preceitos da religião, embora não seja uma pessoa religiosa. Mas, apesar disso, Jesus sempre foi um personagem histórico, não religioso, pelo qual tenho admiração", disse. Para o ator, Jesus foi um revolucionário, no bom sentido. Alguém que se revoltou com algumas questões e que tentou propor uma coisa que não foi entendida.

"Ele sempre foi um herói para mim. Um personagem riquíssimo, supercomplexo. Eu imagino que ele tenha tido muita dúvida, muita crise, muito medo. Estaria sim imbuído de uma missão, mas essa missão tinha um preço altíssimo que exigia muita coragem, sabedoria, mas com certeza vacilos. É um personagem muito rico. E o Plínio (Plínio Pacheco, idealizador e construtor de Nova Jerusalém que também escreveu o texto da peça) captou isso de uma maneira muito inteligente", destacou.

Para Caco, voltar a Nova Jerusalém para fazer o papel de Jesus é um presente. "Estive trabalhado bastante durante esse tempo. Sinto que tenho encontrado um prumo cada vez mais gostoso para o ofício. Então é quase como uma recompensa e uma afirmação de que as coisas estão indo para o lugar certo.

Para Caco, atuar na Paixão de Cristo tem um significado especial. "Eu adoro aquelas pessoas que fazem o espetáculo, são pessoas apaixonadas por teatro, que adoram fazer aquilo e fazem com o amor inacreditável. Então resgatar isso vai ser muito gostoso. Também é um contato com público gigantesco, a reprodução dos cenários é super fiel, eu conheço o que teria sido a Jerusalém no tempo de Jesus. O nosso trabalho de teatro é um verdadeiro faz de conta e lá é um faz de conta que é muito fácil de entrar porque todos os elementos contribuem. O cenário é maravilhoso, os figurinos, as pessoas, aquelas dimensões.

Outro ponto importante para seu retorno tem a ver com uma experiencia que só agora ele decidiu revelar. Em 2012, durante os ensaios, ele teve um breve desmaio quando pulou da árvore cenográfica na cena do enforcamento de Judas. "Ninguém sabe, mas eu desmaiei naquela cena e acordei rodando na corda e as pessoas dizendo: Vamos lá Caco, de novo!"  Ele conta que, no momento do apagão, se viu em um lugar estranho. "O lugar para onde eu fui, ainda que seja um lugar imaginário, era um lugar muito ruim, solitário. Eu via as pessoas que passavam por mim, eram pessoas que eu conheço e eu não tinha conexão afetiva com ninguém e eu pensava: 'gente não tenho conexão afetiva com ninguém'". Em razão dessa experiência, que o levou a fazer terapia vários anos, ele acha que retornar para fazer um papel de um personagem que morre e ressuscita tem uma simbologia.  "Voltar para cá e falar sobre ressurreição é uma coisa muito profunda para mim nesse momento".

Sobre a preparação para atuar como protagonista da Paixão, ele afirma que o desafio principal continua sendo gravar a fala do personagem sem estar atuando no palco. A loucura é você está no estúdio gravando a fala do personagem e o que sair de resultado daqui é o que vai ser usado na temporada inteira. Na primeira vez foi muito assustador porque eu não conseguia imaginar o que era a cidade-teatro. Eu não conhecia Nova Jerusalém, não tinha noção da dimensão que eu deveria emprestar à minha voz para ocupar aquele espaço. Eu tive que acreditar apenas na orientação dos diretores. Quando eu cheguei lá, eu pensei: Nossa! Se eu tivesse a chance de regravar... Agora eu já conheço, embora o tom de Jesus seja completamente diferente. Mas não deixa de ser aflitivo. É preciso que saia muito bem.

Fonte: Mauro Gomes

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