PALESTRA

Potencial energético do Piauí é tema de encontro do Movimento Empreender

O Estado possui uma posição geográfica bastante favorável para geração de energia renovável


Palestra sobre o potencial energético

Palestra sobre o potencial energético Foto: Ascom

Associados do Movimento Empreender Piauí (MOVE) estiveram reunidos em mais uma edição do Diálogos.com que contou com a presença do ex-superintendente da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf), Airton Feitosa, que discutiu leilões de energia eólica e solar e leilões de gás e óleo. O gestor destacou os principais problemas enfrentados pelo Piauí no setor elétrico e os avanços do Estado principalmente na geração de energias renováveis.

Airton Feitosa apresentou o histórico do sistema elétrico nacional, como a energia chegou ao país e ao Estado do Piauí, que no século passado ainda vivia à luz de lamparinas. O engenheiro destacou os requisitos do sistema elétrico nacional e em seguida sobre o sistema interligado nacional. “Antes da instalação do sistema interligado nacional, era por região. Cada região do país tinha sua companhia, como a Chesf aqui no Nordeste e Furnas no Sudeste, por exemplo, depois o sistema elétrico nacional foi todo interligado”, disse Airton.

Atualmente o Brasil possui vários tipos de estações de geração de energia e as mais populares são as usinas hidroelétricas. No entanto, o país e o Piauí avançaram na geração de energia renovável através dos parques de energia eólica e fotovoltaica (solar).

“Com o avanço tecnológico permitiu-se o surgimento de energias como a eólica e a solar. De 1992 a 2004 passamos um bom tempo adormecidos nesse processo. Então, de 2004 até agora, foi que o Brasil começou os investimentos em energia eólica, ainda tímido com pequenos números de geração. Hoje 35% da geração de energia no Brasil é eólica”, ressaltou Airton Feitosa.

Ainda segundo o ex-superintendente da Chesf, o Estado do Piauí tem um grande potencial para geração de energia renovável, pois possui um intenso período solar o ano inteiro e fortes ventos em algumas regiões. “A geração de energia fotovoltaica, a solar, também não está ficando para trás, em números de geração, ela está se tornando cada vez mais popular, aqui no Piauí principalmente, pois o sol é muito intenso durante todo o ano. Hoje nós geramos em torno de 2000mw somente de energias naturais [eólica e solar] e energia hidráulica nós geramos apenas 237mw. Aqui no Estado temos grandes correntes de vento e um grande potencial solar. Nossa posição geográfica é privilegiada para geração de energia natural”, disse o gestor.

Potencial energético do Piauí

Atualmente o Piauí possui 65 plantas de geração de energia elétrica em 16 municípios gerando 1.903.680 kw, que corresponde 1,46% da potência instalada no Brasil. Além disso, o Estado conta com mais 1.045.356 kW em fase de implantação. A energia do Estado é dividida em: 70% da produção eólica, 14,18% solar, 12,46% através de energia produzida por meio de hidroelétricas e 2,75% de termoelétricas.

Os últimos dados da distribuição de energia no Piauí por classe de consumidores foi de 2017 e mostram que a maior classe consumidora é a residencial com 48,20% do volume total. Em seguida, o setor comercial com 22,30%, o poder público com 7,10%, iluminação pública com 6,40%, industrial com 6%, rural 4,90%, serviço público 4,80% e consumo próprio 0,30%.

Segundo o presidente da Associação Industrial do Piauí (AIP), Andrade Júnior, o percentual de consumo de energia no Estado por parte de indústrias é pequeno e mostra um processo de reversão no crescimento das indústrias a nível nacional e local. “Houve um processo de desindustrialização do Brasil e principalmente aqui no Piauí. As indústrias, ao invés de aumentarem sua capacidade de produção, com isso a necessidade de energia elétrica, simplesmente diminuíram de tamanho. Então, o que a gente percebe na palestra do Airton é que tem uma grande oportunidade de crescimento porque da energia barata que está sendo gerada no Brasil, uma grande parte, cerca de 10%, é do Piauí. Tendo uma energia barata com certeza vai impulsionar a criação e a ampliação das existentes”, disse.

Desenvolvimento hidroelétrico do rio Parnaíba

Atualmente o rio Parnaíba possui apenas uma usina hidroelétrica, a de Boa Esperança. No entanto, segundo Airton Feitosa, o rio possui uma grande capacidade de instalação de mais hidroelétricas para promover o desenvolvimento econômico do Estado e também do turismo. Um estudo realizado pela Chesf, em parceria com outras empresas do setor de energia e infraestrutura em 2003, revelou o potencial para construção de mais cinco barragens no rio Parnaíba, a de Ribeiro Gonçalves, Uruçuí, Estreito, Cachoeira e Castelhano.

“As usinas que foram estudadas, principalmente as do baixo Parnaíba, que contempla Cachoeira e Castelhano, darão uma margem de sobrevida ao nosso rio. Além disso, esse empreendimento trará desenvolvimento regional, permitindo o aumento do turismo, da disponibilidade de água e a geração de emprego na região e ainda a plantação de hortifrútis através de irrigação”, finalizou.

Atualmente os projetos de execução das obras dessas barragem se encontram parados por impedimento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (IBAMA).

Para o presidente do MOVE, Arthur Feitosa, trazer um especialista para falar de um tema de grande destaque para o desenvolvimento de empresas e indústrias do Piauí é de fundamental importância. “Nós buscamos sempre trazer pessoas bastante experientes que dominam o tema para debatermos questões importantes e que destravam o desenvolvimento do Estado. Nós debatemos questões relacionadas ao desenvolvimento de energia do Piauí”, disse.

Fonte: Ascom/Hermeson

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