Arte e Cultura

ENTREVISTA

Piauí ainda está descobrindo suas riquezas culturais, diz coordenadora do MinC

Patrícia Mendes destaca o reisado, o congo de Oeiras, a leseira e o cavalo Piancó, e aponta avanço das políticas públicas culturais

Da Redação

Quarta - 11/03/2026 às 10:44



Foto: Patrícia defende maior valorização de riquezas culturais do Piauí
Patrícia defende maior valorização de riquezas culturais do Piauí

Apesar da diversidade de tradições populares, o Piauí ainda está em processo de reconhecer e valorizar plenamente a própria riqueza cultural. A avaliação é da arquiteta e urbanista Patrícia Mendes, coordenadora do escritório do Ministério da Cultura no estado. Ela falou sobre o tema durante entrevista no Podcast Mulher Mais, com as apresentadoras Natalia Costa e Ozeli Santos.

Segundo Patrícia, muitas manifestações culturais locais ainda são pouco conhecidas pelo grande público, mesmo fazendo parte da identidade histórica de diversas regiões piauienses. “A gente sempre ouviu falar muito de algumas manifestações, mas o Piauí tem uma diversidade cultural enorme. O reisado, por exemplo, é muito característico do nosso estado e ainda precisa ser mais valorizado”, afirma.

Entre as expressões culturais que considera mais representativas, Patrícia cita o reisado, o congo de Oeiras, a leseira e o cavalo Piancó, tradições que combinam elementos religiosos, musicais e festivos e que continuam presentes em comunidades do interior do estado.

Arquiteta e urbanista Patrícia Mendes, coordenadora do escritório do Ministério da Cultura no Piauí

A celebração do reisado mistura música, dança e teatro popular e costuma ocorrer principalmente entre o Natal e o Dia de Reis, em janeiro. Os grupos percorrem ruas e comunidades com figurinos coloridos, cantorias e encenações que remetem à visita dos três reis magos ao menino Jesus.

Outra manifestação destacada pela coordenadora é o congo de Oeiras, uma tradição ligada às raízes afro-brasileiras da antiga capital do estado. A celebração reúne música, dança e rituais simbólicos que remetem à história da população negra e à formação cultural da região. A manifestação costuma ocorrer durante festas religiosas e eventos culturais da cidade.

Também pouco conhecida fora de determinadas regiões, a leseira é uma dança tradicional presente em comunidades rurais do Piauí. A manifestação tem origem popular e combina canto, ritmo marcado por instrumentos simples e movimentos coletivos. Em algumas localidades, a leseira é associada a festas comunitárias e celebrações religiosas.

Congo de Oeiras é uma tradição ligada às raízes afro-brasileiras da antiga capital do estado

Já o cavalo Piancó é uma tradição cultural ligada ao município de Amarante, no centro-norte do estado. A manifestação reúne dança, música e encenações que remetem à figura simbólica do cavalo, presente em várias festas populares brasileiras. No caso piauiense, a tradição ganhou características próprias ao longo do tempo, tornando-se parte da identidade cultural da região.

Para Patrícia Mendes, reconhecer e divulgar manifestações como essas é fundamental para fortalecer a identidade cultural do estado. “O Piauí tem muita coisa rica culturalmente. A gente ainda está nesse processo de se descobrir e de entender a dimensão do que tem aqui”, afirma.

Mais políticas públicas culturais

A coordenadora também destaca que o fortalecimento das políticas públicas culturais tem contribuído para ampliar a visibilidade dessas tradições. Segundo ela, iniciativas de fomento, como editais e programas de incentivo, têm permitido que grupos culturais consigam recursos para manter suas atividades e ampliar sua atuação.

Nos últimos anos, leis como a Lei Aldir Blanc e a Lei Paulo Gustavo ajudaram a garantir apoio financeiro a artistas e produtores culturais em todo o país. Após a pandemia, o governo federal instituiu a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, que prevê repasses anuais de recursos para estados e municípios até 2027.

Patrícia fala da importância de reconhecer as manifestações para fortalecer a identidade cultural do Piauí

De acordo com o Ministério da Cultura, o programa deve destinar até 15 bilhões de reais ao setor cultural em todo o país ao longo de cinco anos. No Piauí, a estimativa é de cerca de 50 milhões de reais por ano para investimentos em projetos culturais em todo o estado.

Os recursos são transferidos diretamente do governo federal para os estados e municípios, permitindo que projetos locais sejam desenvolvidos em diferentes áreas culturais. Para Patrícia, essa descentralização ajuda a fortalecer manifestações tradicionais que muitas vezes surgem em pequenas comunidades. “Quando você incentiva um grupo cultural, você está incentivando muito mais do que uma apresentação. Aquilo movimenta a comunidade, gera renda, valoriza a história daquele lugar”, explica.

A celebração do reisado mistura música, dança e teatro popular entre o Natal e o Dia de Reis, em janeiro.

Além do impacto cultural, a coordenadora afirma que o investimento no setor também gera efeitos econômicos. Estudos do próprio Ministério da Cultura indicam que cada real investido na área pode gerar retorno superior a sete reais na economia, considerando as atividades ligadas à produção cultural, turismo, gastronomia e comércio.

Mesmo com os avanços recentes, Patrícia acredita que o fortalecimento da cultura depende também do envolvimento da própria população. “Ninguém ama o que não conhece. Antes de viajar para fora, conheça o Piauí. Vá a cidades como Oeiras, Amarante, Santa Cruz dos Milagres e Parnaíba. Quando a gente conhece a nossa história, passa a valorizar muito mais o que é nosso”, afirma.

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