COMBATE AO FUMO
Teresinha Ferreira
29 de agosto de 2026 às 07:06 ▪ Atualizado há 1 hora
O Brasil celebra neste sábado, 29 de agosto, o Dia Nacional de Combate ao Fumo, uma data dedicada à conscientização sobre os danos provocados pelo tabagismo e à prevenção do consumo de cigarros e outros produtos derivados do tabaco. Em 2026, a mobilização completa 40 anos desde sua instituição pela Lei Federal nº 7.488, de 11 de junho de 1986. O alerta ganhou novos contornos nas últimas décadas. Além do cigarro convencional, autoridades de saúde enfrentam o avanço dos dispositivos eletrônicos para fumar, conhecidos como cigarros eletrônicos ou vapes, especialmente entre adolescentes e adultos jovens. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) classifica o tabagismo como uma doença crônica causada pela dependência da nicotina. O consumo de produtos derivados do tabaco está relacionado a diferentes tipos de câncer e a doenças cardiovasculares e respiratórias.
Tabagismo está associado a dezenas de doenças
Fumar não aumenta apenas o risco de câncer de pulmão.
O tabagismo está associado ao desenvolvimento de diferentes tipos de câncer, além de doenças como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), doença pulmonar obstrutiva crônica e outras enfermidades que podem comprometer significativamente a qualidade e a expectativa de vida. A fumaça do tabaco contém milhares de substâncias químicas. Parte delas é tóxica e dezenas apresentam potencial cancerígeno. Os prejuízos não atingem somente quem fuma. Pessoas expostas regularmente à fumaça dos cigarros também ficam sujeitas aos efeitos do chamado tabagismo passivo. Crianças, gestantes, idosos e pessoas com doenças respiratórias merecem atenção especial em ambientes onde ocorre exposição à fumaça.
Cigarro eletrônico não é alternativa sem risco
Os cigarros eletrônicos tornaram-se um dos principais desafios das políticas de prevenção ao tabagismo. Os aparelhos podem assumir diferentes formatos e são conhecidos como vape, pod ou dispositivo eletrônico para fumar. A aparência tecnológica, os aromas e sabores e a percepção de que esses produtos seriam menos prejudiciais podem contribuir para atrair consumidores jovens.
Mas o vapor ou aerossol produzido pelos dispositivos não deve ser confundido com simples vapor de água. Dependendo do produto, o usuário pode ser exposto à nicotina e a outras substâncias potencialmente prejudiciais. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mantém proibidas a fabricação, importação, comercialização, distribuição, armazenamento, transporte e propaganda de dispositivos eletrônicos para fumar, nos termos da regulamentação sanitária vigente.
Nicotina provoca dependência
Um dos maiores obstáculos para abandonar o cigarro é a dependência provocada pela nicotina. Por isso, parar de fumar não deve ser encarado simplesmente como uma questão de força de vontade. A dependência pode envolver aspectos físicos, psicológicos e comportamentais. Algumas pessoas conseguem abandonar o cigarro sozinhas, enquanto outras precisam de acompanhamento profissional e, quando indicado, tratamento medicamentoso. Buscar ajuda aumenta as possibilidades de enfrentar a dependência com acompanhamento adequado.
SUS oferece tratamento para quem deseja parar
Quem deseja abandonar o cigarro pode procurar atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS). O tratamento do tabagismo pode incluir avaliação clínica, orientação individual ou em grupo e acompanhamento profissional. Medicamentos também podem ser utilizados quando houver indicação e conforme os protocolos do Ministério da Saúde.
No Piauí, o primeiro caminho para quem deseja parar de fumar é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e verificar a oferta do Programa Nacional de Controle do Tabagismo no município. Em Teresina, a orientação também pode ser obtida na rede municipal de saúde. O acompanhamento é importante porque a abstinência de nicotina pode provocar sintomas como irritabilidade, ansiedade, dificuldade de concentração e forte desejo de fumar.
Parar de fumar traz benefícios
Os benefícios começam após a interrupção do consumo e aumentam com o passar do tempo. Deixar de fumar reduz progressivamente os riscos associados ao tabagismo e melhora aspectos da saúde cardiovascular e respiratória. Mesmo quem fuma há muitos anos pode obter benefícios ao abandonar o cigarro. Por isso, autoridades de saúde reforçam que nunca é tarde para buscar tratamento.
Data completa 40 anos em 2026
O Dia Nacional de Combate ao Fumo foi criado pela Lei nº 7.488, de 11 de junho de 1986, que estabeleceu o dia 29 de agosto como data nacional de conscientização sobre os malefícios decorrentes do uso do fumo. Quatro décadas depois, o desafio brasileiro mudou de dimensão.
O cigarro convencional continua sendo um problema de saúde pública, mas o país também precisa enfrentar novas formas de consumo de nicotina e evitar que uma geração que não tinha contato com o cigarro tradicional desenvolva dependência por meio de dispositivos eletrônicos.
Neste sábado, a mensagem central permanece a mesma: prevenir o início do consumo, proteger quem não fuma da exposição e garantir tratamento para quem deseja abandonar a dependência.
Serviço
Quem deseja parar de fumar deve procurar uma Unidade Básica de Saúde do seu município e perguntar sobre o atendimento para tratamento do tabagismo pelo SUS. Informações e orientações de saúde também podem ser obtidas pelo Disque Saúde 136, do Ministério da Saúde.
Fonte: Ministério da Saúde, Instituto Nacional de Câncer (INCA), Anvisa e legislação federal.
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