ALERTA SOBRE IA
Teresinha Ferreira
23 de setembro de 2026 às 00:56 ▪ Atualizado há 1 hora
Vídeos falsos criados por inteligência artificial e informações de baixa qualidade ultrapassaram as fake news tradicionais como a principal ameaça digital às eleições e à democracia. A constatação é feita pelo Guia Internet, Democracia e Eleições, publicado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) nesta terça-feira (22).
O documento aponta que, desde 2018, houve uma transição de redes abertas como o Facebook para plataformas mais restritas, como o WhatsApp, como principais canais de disseminação de informações.
Especialistas identificaram uma disseminação mais ampla de desinformação, com múltiplas plataformas envolvidas. "O formato de vídeo tornou-se o principal vetor, frequentemente acompanhado de um texto curto que âncora e legitima a narrativa falsa", afirma o guia.
As recentes ferramentas de inteligência artificial generativa já tiveram impacto nas eleições de 2022 e prometem influenciar ainda mais este ano. Renata Mielli, coordenadora do CGI.br, ressalta a importância de compreender o funcionamento dessas plataformas, que são regidas por interesses econômicos, não públicos.
O guia, disponível no site do CGI.br, discute sistemas de recomendação de conteúdo, deepfakes e a influência da IA nas eleições. Oferece diretrizes para combater a desinformação e orienta os cidadãos a evitar propagação de conteúdos falsos.
O estudo ainda destaca o papel dos influenciadores digitais, que, ao contrário do jornalismo, não seguem um código de ética e não assumem responsabilidade por erros ou imprecisões.
A preocupação com deepfakes cresce à medida que seu nível de realismo aumenta, ameaçando enganar até mesmo os eleitores mais experientes e fomentando desconfiança generalizada nas informações verificadas.
O Guia alerta que a perda de confiança nas instituições e a polarização reforçam a "racionalidade motivada", onde as pessoas rejeitam fatos que contradizem suas crenças.
Fonte: Agência Brasil