Mundo

PESTE PNEUMÔNICA

Peste pneumônica: o que é a doença investigada após morte de pesquisadora na Rússia

Morte de funcionária de instituto especializado na doença levantou suspeita, mas peste ainda não foi confirmada

Da Redação

06 de outubro de 2026 às 09:49 ▪ Atualizado há 1 hora

Ver resumo
  • Uma pesquisadora na Rússia morreu de pneumonia de causa desconhecida, levantando suspeitas de peste pneumônica.
  • Ela trabalhava no Instituto de Pesquisa Antipeste, que lida com a bactéria causadora da peste.
  • As autoridades não confirmaram a peste como causa da morte e realizaram uma quarentena preventiva em um hospital.
  • Exames não detectaram microrganismos relacionados à peste, mas 200 pessoas foram monitoradas.
  • Nenhum caso de peste foi detectado entre os contatos; alguns tiveram Covid-19 e rinovírus.
  • A OMS mantém o monitoramento da situação e avalia o risco geral como baixo.
  • A peste pneumônica é uma forma grave da doença, transmitida por gotículas respiratórias.
  • Sintomas incluem febre alta, tosse com sangue e, sem tratamento rápido, pode ser fatal.
  • A doença é tratável com antibióticos se diagnosticada cedo.
  • No Brasil, a peste ainda circula entre roedores em algumas regiões, mas não há casos humanos desde 2005.
  • A prevenção envolve evitar contato com roedores e seguir orientações médicas após exposição potencial.
  • Até o momento, a situação na Rússia está sob controle sem sinais de surto de peste.

Reprodução Daria Shipilova
Daria Shipilova

Uma pesquisadora de 28 anos morreu na Sibéria, na Rússia, após desenvolver uma pneumonia de causa ainda não determinada, provocando alerta entre as autoridades de saúde e levantando suspeitas sobre uma possível infecção por peste pneumônica. A mulher trabalhava no Instituto de Pesquisa Antipeste de Irkutsk, especializado no estudo e controle da doença.

A possibilidade de peste ganhou repercussão porque a pesquisadora Darya Shipilova atuava justamente em um laboratório que trabalha com a bactéria Yersinia pestis, responsável pela peste. No entanto, as autoridades russas afirmam que não há confirmação de que a morte tenha sido provocada pela doença ou que tenha ocorrido um acidente no laboratório.

 A morte ocorreu na semana passada, em um hospital na cidade vizinha de Shelekhov. O falecimento levou as autoridades a colocarem o hospital em quarentena e a submeterem a vigilância médica as pessoas que haviam estado em contato com ela.

O órgão russo de vigilância sanitária, Rospotrebnadzor, informou que exames realizados não identificaram microrganismos relacionados às atividades profissionais da mulher. Também não foram encontradas evidências de um incidente envolvendo agentes patogênicos no instituto.

A morte ocorreu após a paciente apresentar um quadro de pneumonia de origem desconhecida. O caso levou as autoridades a identificar e acompanhar pessoas que tiveram contato com ela. Cerca de 200 pessoas chegaram a ser colocadas sob medidas de isolamento ou monitoramento como precaução.

Nesta terça-feira (6), as autoridades russas informaram que nenhum caso de peste foi detectado entre os contatos da pesquisadora. Entre as pessoas monitoradas, foram identificados casos de Covid-19 e rinovírus, mas não de peste.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) avaliou que, com as informações disponíveis, o risco para a população em geral é baixo. A entidade continua acompanhando a situação junto às autoridades russas.

O que é a peste pneumônica?

A peste é uma doença infecciosa causada pela bactéria Yersinia pestis. Existem três principais formas clínicas: bubônica, septicêmica e pneumônica.

A peste pneumônica é a forma que atinge os pulmões e é considerada a manifestação mais grave da doença. Diferentemente da forma bubônica, que geralmente está associada à picada de pulgas infectadas, a forma pneumônica pode ser transmitida de uma pessoa para outra por meio de gotículas respiratórias expelidas durante tosse ou outros atos respiratórios.

Segundo o Ministério da Saúde, o período de incubação da peste pneumônica costuma variar de um a três dias. A transmissão ocorre principalmente durante o período sintomático, quando a bactéria está presente nas secreções respiratórias.

Quais são os sintomas?

Os sintomas podem começar de forma rápida e incluem manifestações gerais de infecção, como febre alta, calafrios, dor de cabeça, dores no corpo, falta de apetite, náuseas e vômitos.

Na forma pneumônica, podem aparecer ainda:

  • dor no peito;
  • respiração curta e rápida;
  • falta de ar;
  • coloração azulada da pele ou dos lábios (cianose);
  • tosse com expectoração sanguinolenta;
  • delírio;
  • em casos graves, coma e morte.

Por apresentar sintomas que podem se confundir inicialmente com outras doenças respiratórias graves, a avaliação médica e a investigação laboratorial são fundamentais diante de uma suspeita.

A peste pneumônica tem tratamento?

Sim. A doença pode ser tratada com antibióticos, mas o tratamento precisa começar rapidamente.

O Ministério da Saúde orienta que a terapia seja iniciada de forma precoce e intensiva, sem esperar necessariamente a confirmação laboratorial quando houver uma suspeita clínica e epidemiológica compatível. A orientação existe porque a doença pode evoluir rapidamente.

A OMS também destaca que o diagnóstico e o tratamento precoces são fundamentais. Com atendimento adequado, os antibióticos são eficazes contra a peste.

Como ocorre a transmissão?

A forma de transmissão depende do tipo de peste.

Na peste bubônica, a principal forma de transmissão é a picada de pulgas infectadas que tiveram contato com roedores ou outros animais infectados.

Já a peste pneumônica pode ser transmitida diretamente entre pessoas por gotículas respiratórias, especialmente durante a fase sintomática.

Por isso, pessoas que tiveram contato próximo com um paciente suspeito podem precisar de avaliação e acompanhamento médico.

Existe peste no Brasil?

A peste não foi erradicada do Brasil. O Ministério da Saúde informa que existem focos naturais da doença no território brasileiro, relacionados principalmente à circulação da bactéria entre roedores silvestres e suas pulgas.

O chamado foco do Nordeste se estende por estados como Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Bahia, com uma pequena extensão para o Piauí. Também existem áreas pestígenas em Minas Gerais e um foco em Teresópolis, no Rio de Janeiro.

Apesar disso, o Brasil não registra casos humanos de peste desde 2005. O último caso ocorreu em Pedra Branca, no Ceará.

Como prevenir?

As medidas de prevenção estão principalmente relacionadas ao contato com animais e ambientes onde a bactéria possa circular.

O Ministério da Saúde recomenda evitar o contato com roedores silvestres, suas pulgas e animais sinantrópicos que possam estar infestados. Em regiões onde há circulação da bactéria, também é importante evitar o contato direto com animais mortos ou doentes.

No caso da peste pneumônica, pessoas que tiveram contato próximo com um paciente infectado devem seguir as orientações das autoridades de saúde e procurar atendimento diante do surgimento de sintomas.

Situação na Rússia

Até esta terça-feira (6), não havia confirmação de um surto de peste pneumônica relacionado à morte da pesquisadora na Sibéria. As autoridades russas afirmam que os exames não encontraram a bactéria entre os contatos monitorados e que a situação epidemiológica permanece sob controle.

A investigação continua para determinar a causa da pneumonia que levou à morte da funcionária do instituto.