SAFRA RECORDE
Natalia Costa
17 de agosto de 2026 às 11:52 ▪ Atualizado há 3 horas
O Piauí terá em 2026 a maior safra de grãos de sua história, com uma produção estimada em 6,82 milhões de toneladas, segundo dados preliminares do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O volume representa um crescimento de 20% em relação ao ano passado, quando foram produzidas 5,67 milhões de toneladas.
O resultado ainda pode sofrer alterações, já que uma pequena área de produção permanece em fase de colheita. Mesmo assim, os números atuais já superam o recorde anterior registrado no estado.
Até então, a maior safra de grãos do Piauí havia sido registrada em 2023, quando o estado alcançou 6,44 milhões de toneladas. Nos dois anos seguintes, houve redução da produção. Em 2026, porém, a atividade agrícola voltou a crescer de forma expressiva e estabeleceu um novo recorde.
O desempenho também representa uma evolução significativa em uma década. A produção de grãos prevista para 2026 é mais de cinco vezes superior à registrada em 2016, quando o Piauí colheu 1,33 milhão de toneladas. Naquele ano, a produção foi afetada por uma quebra de safra provocada por condições climáticas.

Área colhida também aumenta
Para alcançar o resultado histórico, os produtores piauienses colheram neste ano uma área de 1,85 milhão de hectares, crescimento de 8,3% em comparação com a área colhida em 2025.
Apesar do aumento da área, o avanço da produção foi ainda maior. Segundo o IBGE, 83,7% da área total colhida com grãos no Piauí foram destinadas às culturas de soja e milho.
A dimensão da área utilizada para a produção chama atenção. Os 1,85 milhão de hectares colhidos com grãos no estado correspondem a uma área próxima à extensão total de Sergipe, que possui cerca de 2,2 milhões de hectares.
De acordo com Pedro Andrade, chefe da Seção de Pesquisas Agropecuárias (SPA) da Superintendência Estadual do IBGE no Piauí, o resultado foi favorecido pela regularidade das condições climáticas ao longo do período de produção.
“Também verificamos um aumento expressivo da produtividade das culturas, que permitiram alcançar melhores resultados na colheita, sem ampliação considerável da área plantada”, destacou Pedro Andrade.

Soja e milho concentram mais de 92% da produção
A soja e o milho são responsáveis por mais de 92% de toda a produção de grãos do Piauí em 2026. As duas culturas são cultivadas principalmente por grandes empreendimentos do agronegócio concentrados na região do bioma Cerrado, no sul do estado.
A soja aparece como o principal produto da safra. A produção alcançou 4,19 milhões de toneladas em 2026.
O milho também apresentou desempenho expressivo, com uma produção estimada em 2,1 milhões de toneladas.
Somadas, as duas culturas representam a maior parte dos 6,82 milhões de toneladas de grãos produzidos no estado neste ano.
Produção aumenta em quase todas as culturas
O crescimento da safra piauiense não ficou restrito à soja e ao milho. Segundo o levantamento do IBGE, houve aumento na produção de praticamente todas as culturas acompanhadas pelo LSPA em 2026, na comparação com o ano anterior.
A única exceção foi o sorgo em grãos, que apresentou uma redução de 3%.
Entre as culturas que registraram os maiores avanços estão a fava, cuja produção aumentou 40,95%, e o arroz, com crescimento de 40,89%.
A soja teve aumento de 17% na produção entre 2025 e 2026, enquanto o milho cresceu 28% no mesmo período.
Outras culturas também contribuíram para o resultado da safra. O Piauí produziu, em 2026, aproximadamente 140,8 mil toneladas de algodão herbáceo, 89,1 mil toneladas de arroz, 592 toneladas de fava, 48,7 mil toneladas de feijão e 243,8 mil toneladas de sorgo.
Produção de grãos será recorde mesmo com redução na área plantada
O recorde na produção de grãos em 2026 não precisou ser acompanhado por um aumento recorde na área colhida. Em 2023 e 2024, por exemplo, o Piauí teve áreas de colheita maiores do que a prevista para este ano. Foram 1,89 milhão de hectares em 2023 e 1,86 milhão em 2024, mas os resultados foram inferiores ao registrado em 2026.
Neste ano, a área colhida será de aproximadamente 1,83 milhão de hectares. Mesmo com uma extensão menor em comparação com 2023 e 2024, a produção será maior, resultado principalmente do aumento da produtividade, ou seja, da quantidade de toneladas produzidas por hectare.
Nos últimos dez anos, a produção de grãos no Piauí cresceu mais de 500%, enquanto a área colhida avançou em ritmo bem menor, cerca de 46% no mesmo período.
“Esse resultado mostra que não há a necessidade de desmatamento para que ocorra o crescimento da produção agrícola, bastam os investimentos corretos em tecnologia e manejo adequado para que isso se reflita no aumento da produtividade, o que é uma boa notícia para quem se preocupa com a questão ambiental”, declarou Pedro Andrade.
Produção de arroz e feijão ainda está abaixo dos recordes históricos
Apesar do crescimento da produção de grãos no estado, os dados do IBGE mostram um cenário diferente para dois produtos que estão entre os mais presentes na alimentação dos brasileiros: arroz e feijão.
Embora as duas culturas tenham registrado aumento na produção entre 2025 e 2026, os volumes previstos para este ano permanecem bem abaixo dos recordes históricos registrados no Piauí.
O LSPA aponta que a maior produção de feijão no estado ocorreu em 2018, quando foram colhidas 93.992 toneladas. Para 2026, a previsão é de 48.705 toneladas, uma redução de aproximadamente 48,1% em relação ao recorde.
No caso do arroz, a diferença é ainda maior. A maior safra registrada ocorreu em 2011, quando o Piauí produziu 271.620 toneladas. Para 2026, a estimativa é de 89.175 toneladas, volume aproximadamente 67,1% inferior ao recorde histórico.

A redução da produção desses alimentos ao longo dos anos pode ter impactos sobre a oferta e, consequentemente, sobre os preços dos produtos que fazem parte da alimentação básica da população.
Brasil deve produzir 353 milhões de toneladas de grãos em 2026
No cenário nacional, a estimativa do IBGE para julho de 2026 aponta uma produção de 353 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas. O volume representa crescimento de 2%, ou 6,9 milhões de toneladas, em relação à produção registrada em 2025, de 346,1 milhões de toneladas.
A área a ser colhida no país foi estimada em 83,1 milhões de hectares, aumento de 1,5 milhão de hectares em relação ao ano anterior, o equivalente a um crescimento de 1,8%.
Arroz, milho e soja continuam sendo os três principais produtos agrícolas desse grupo no Brasil. Juntos, eles representam 92,9% da produção estimada e ocupam 87,4% da área prevista para colheita.
A soja deve alcançar 174,9 milhões de toneladas, enquanto a produção de milho está estimada em 141,8 milhões de toneladas. Para o arroz, a previsão é de 11,2 milhões de toneladas.
Também estão entre as principais culturas nacionais o trigo, com produção estimada em 6,4 milhões de toneladas; o algodão herbáceo em caroço, com 9,2 milhões de toneladas; e o sorgo, com 5,8 milhões de toneladas.
Na distribuição da produção entre os estados, Mato Grosso lidera o ranking nacional, com participação de 32,1% da produção de grãos. Em seguida aparecem Paraná (13,3%), Rio Grande do Sul (10,5%), Goiás (9,6%), Mato Grosso do Sul (8,5%) e Minas Gerais (5,5%).

Juntos, esses seis estados concentram 79,5% da produção nacional de grãos.
Entre os estados nordestinos, destacam-se os integrantes da região conhecida como MATOPIBA, formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Piauí, Maranhão e Bahia estão entre os 14 estados brasileiros com as maiores safras de grãos previstas para 2026.
Fonte: IBGE-PI
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