TRABALHO ESCRAVO
Por Natalia Costa
06 de outubro de 2026 às 14:52 ▪ Atualizado há 44 minutos
O Piauí tem dez empregadores atualmente inscritos na chamada “Lista Suja” do trabalho escravo, segundo a atualização do Cadastro de Empregadores divulgada nesta terça-feira (6) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Juntos, os registros do estado envolvem 101 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão.
A atualização nacional incluiu 82 novos empregadores, sendo quatro do Piauí. Os casos foram identificados por ações da Inspeção do Trabalho realizadas entre 2024 e 2026. Em todo o país, os novos registros envolvem 553 trabalhadores.
No Piauí, os registros estão distribuídos por Batalha, Currais, Monte Alegre do Piauí, Caldeirão Grande do Piauí, Francinópolis, Uruçuí, Piripiri, Altos, Cajueiro da Praia e Palmeira do Piauí.
Confira os 10 empregadores do Piauí
Os nomes que constam atualmente no cadastro oficial são:
1. Domingos Laurentino Neto — Batalha — 13 trabalhadores.
2. Eduardo Martins Rosal — Currais — 2 trabalhadores.
3. Francisco das Chagas Dias Rosal Junior — Monte Alegre do Piauí — 5 trabalhadores.
4. Francisco Firmino de Oliveira Junior — Caldeirão Grande do Piauí — 5 trabalhadores.
5. F T S Construtora Ltda. — Francinópolis — 20 trabalhadores.
6. José de Jesus Pereira da Rocha — Uruçuí — 2 trabalhadores.
7. Ludjalma de Sousa Araujo — Piripiri — 4 trabalhadores.
8. P Felix de Andrade Ltda. — Altos — 2 trabalhadores.
9. Savio Brito de Pinho — Cajueiro da Praia — 25 trabalhadores.
10. WP Prestadora de Serviços Gerais Ltda. — Palmeira do Piauí — 23 trabalhadores. 
Entre os registros, o maior número de trabalhadores envolvidos aparece no caso de Savio Brito de Pinho, em Cajueiro da Praia, com 25 pessoas. Em seguida está a WP Prestadora de Serviços Gerais Ltda., em Palmeira do Piauí, com 23, e a F T S Construtora Ltda., em Francinópolis, com 20.
Quatro nomes entraram na atualização
Dos dez empregadores piauienses que permanecem no cadastro, quatro foram incluídos na atualização divulgada nesta terça-feira (6): Francisco Firmino de Oliveira Junior, F T S Construtora Ltda., José de Jesus Pereira da Rocha e WP Prestadora de Serviços Gerais Ltda. Os demais já apareciam em atualizações anteriores e continuam na relação dentro do prazo previsto para permanência no cadastro.
A chamada “Lista Suja” é atualizada semestralmente e tem como objetivo dar transparência aos resultados das fiscalizações de combate ao trabalho análogo à escravidão. O MTE explica que o empregador só é incluído após o encerramento do processo administrativo e uma decisão definitiva pela procedência da autuação. O nome permanece publicado por dois anos.
O que caracteriza trabalho análogo à escravidão?
De acordo com o MTE, a caracterização não depende apenas de impedir fisicamente a saída do trabalhador. Também podem configurar a condição análoga à escravidão o trabalho forçado, a jornada exaustiva, condições degradantes e a restrição da liberdade de locomoção, inclusive por dívida, além de vigilância ostensiva ou retenção de documentos com o objetivo de impedir que a pessoa deixe o local de trabalho.
No Piauí, a relação reúne atividades como pedreiras, agropecuária e construção civil, mostrando que as ocorrências não estão concentradas em apenas um setor econômico.
O procurador do Trabalho Edno Moura, coordenador regional da Conaete no MPT-PI, afirmou que a permanência de dez empregadores piauienses no cadastro demonstra que o enfrentamento ao trabalho análogo à escravidão precisa continuar.
“A presença de dez empregadores do Piauí nesse cadastro, envolvendo mais de uma centena de trabalhadores, reforça que o enfrentamento ao trabalho em condições análogas à escravidão precisa ser permanente.”
Confira a lista completa no Brasil:
Fonte: MPT-PI
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