TRAVESSIA DOS EXTREMOS
Cintia Lucas
25 de agosto de 2026 às 11:01 ▪ Atualizado há 3 horas
A viagem de mapeamento já começa a revelar os primeiros desafios da Travessia dos Extremos, projeto que levará o ultramaratonista Henrique Lobo a correr aproximadamente 7.200 quilômetros entre Oiapoque (AP) e Chuí (RS) em 2027. Na segunda-feira (24 de agosto), o atleta de Taubaté esteve em Santa Inês, no Maranhão, depois de passar pelo Amapá e pelo Pará. Desde o dia 19 de agosto, a equipe já percorreu mais de 1.500 quilômetros de mapeamento, enquanto Henrique acumulou 98 quilômetros de treinos de corrida.
Entre os dias 24 e 30 de agosto, a equipe percorrerá cidades localizadas nos estados do Maranhão, Piauí e Tocantins.
A expedição tem duração prevista de aproximadamente 30 dias e está permitindo à equipe avaliar na prática as condições das estradas, os acessos, a logística e os pontos que poderão receber apoio durante a travessia oficial. O objetivo é chegar ao Chuí com o maior número possível de informações para transformar o percurso de 2027 em uma operação segura e viável.
“Cada quilômetro que estamos percorrendo agora tem um propósito. Não estamos simplesmente viajando de Oiapoque para o Sul. Estamos tentando entender como será correr esse Brasil inteiro no ano que vem”, afirma Henrique.
Desafios mapeados
O reconhecimento realizado até agora já colocou dois pontos entre as principais questões a serem solucionadas pela equipe.
Um deles está relacionado à estrutura de acampamento em uma área despovoada no Amapá, onde será necessário definir uma solução que ofereça condições adequadas de descanso e segurança para a futura travessia.
Outro desafio envolve os deslocamentos por balsa, que podem obrigar Henrique a permanecer por aproximadamente 24 horas sem correr. Para um atleta que pretende manter uma média próxima de 60 quilômetros diários durante a travessia, períodos prolongados de interrupção representam uma questão logística e física que precisa ser estudada antecipadamente.
“A gente precisa entender como o corpo vai reagir a essas paradas longas. Ficar 24 horas em uma balsa e depois voltar a correr não é simplesmente parar e continuar. O corpo esfria, a musculatura muda, a rotina de sono e alimentação mudam. Estamos estudando agora para encontrar a melhor estratégia para 2027”, explica Henrique.

A identificação antecipada desses obstáculos é justamente uma das razões para a realização do reconhecimento. A equipe pretende registrar pontos de apoio, alternativas de rota, locais de descanso e situações que possam comprometer o ritmo da travessia.
Treinos
Enquanto a equipe avança pelo país de carro, Henrique mantém uma rotina de treinamento nas próprias estradas e, quando possível, em academias. Até esta segunda-feira, foram 98 quilômetros de corrida.
A atividade física tem uma dupla função: manter a preparação para a Travessia dos Extremos e permitir que o atleta experimente diferentes condições de terreno e clima ao longo da rota.
A previsão inicial é que Henrique acumule cerca de 450 quilômetros de corrida durante os 30 dias da expedição.
“Os treinos fazem parte do reconhecimento. Correr nesses lugares também é uma maneira de sentir o terreno, o calor, o tipo de piso e entender como meu corpo responde. É diferente de simplesmente passar de carro pela estrada”, afirma.
Cruzando o Brasil real
A equipe iniciou o reconhecimento em Oiapoque, no extremo norte do país, e vem avançando no sentido sul. A passagem pelos primeiros estados também permitiu o contato com comunidades e pessoas que poderão fazer parte da futura travessia.
Mais do que definir uma linha no mapa, Henrique quer construir uma rede de apoio para os aproximadamente 120 dias previstos para o desafio de 2027.
“Uma travessia dessa dimensão não é feita sozinho. Vamos precisar das pessoas, das comunidades, de parceiros e de uma estrutura muito bem planejada. É isso que estamos começando a construir agora”, diz.
A expedição também está sendo registrada em tempo real. Os filmakers Bianca e Luiz são responsáveis pela captação, edição e publicação de conteúdos para Instagram, YouTube e TikTok, enquanto Henrique e sua esposa, Roseli Lobo, mantêm um diário de bordo com relatos sobre os bastidores, dificuldades, descobertas e reflexões da viagem.
O objetivo é fazer com que o público acompanhe não apenas a preparação física, mas também a construção da estratégia que permitirá ao atleta enfrentar os 7.200 quilômetros em 2027.
Um desafio que começou há 13 anos
A Travessia dos Extremos representa o próximo capítulo da história de transformação de Henrique. Há cerca de 13 anos, ele era obeso e sedentário e já havia enfrentado dois infartos e um câncer. Foi na corrida que encontrou o caminho para mudar hábitos e reconstruir a própria vida.
Desde então, acumulou mais de 20 mil quilômetros em provas e treinamentos, incluindo a participação na Badwater 135, nos Estados Unidos, prova de 217 quilômetros pelo Vale da Morte.
Em julho deste ano, aos 59 anos, completou 470 quilômetros da UAI Internacional, em Minas Gerais, em 87 horas e 49 minutos. Venceu a categoria Double e estabeleceu o recorde da primeira etapa da competição.
Agora, a preparação ganhou uma dimensão nacional.
“Minha corrida tem um propósito maior do que simplesmente completar uma distância. Eu quero mostrar que é possível transformar a própria vida e continuar buscando novos desafios. O reconhecimento está mostrando que a Travessia dos Extremos não será apenas uma corrida de 7.200 quilômetros. Será uma jornada de pessoas, lugares, histórias e superação”, afirma Henrique.
Fonte: Ascom
Cintia Lucas é jornalista formada pela Universidade Federal do Piauí e mestra em Comunicação pela mesma instituição. A coluna vai abordar os bastidores da notícia, com foco em temas de interesse público. Contato: cintialuc1@hotmail.com
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