Pesquisa aponta alta violência contra mulheres com deficiência

Dados revelam que 38% das brasileiras com deficiência já sofreram violência doméstica.

Mais de 4,4 milhões de mulheres brasileiras com deficiência já foram vítimas de violência doméstica ou familiar praticada por homens. Esse número equivale a 38% das mulheres com deficiência no país, superando os 25% entre aquelas sem deficiência, conforme pesquisa inédita do DataSenado e do Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), divulgada em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos (CDH).

Durante o evento, especialistas enfatizaram a importância de utilizar os resultados para orientar políticas públicas que atendam as necessidades dessas mulheres. Foram sugeridas medidas como o uso de tecnologias assistivas, disponibilização de informações em formatos acessíveis e capacitação de profissionais para remover barreiras no acesso à proteção.

A senadora Mara Gabrilli (PSD-SP) chamou a atenção para o fato de que 83% das mulheres com deficiência vítimas de violência, equivalente a 3,75 milhões, não buscaram apoio nas redes de suporte existentes. Ela destacou a vulnerabilidade acentuada pela dependência econômica e fragilidade das redes de apoio.

A pesquisa indicou que seis em cada dez mulheres com deficiência sofreram agressão pela primeira vez antes dos 30 anos. Entre as vítimas, 36% tinham até 19 anos no momento da primeira violência.

Talita Santos de Oliveira, assistente social do OMV, disse que muitas mulheres não reconhecem práticas capacistas e abusivas como violência. O levantamento mostrou que 34% das que inicialmente negaram terem sofrido violência relataram ao menos um caso compatível com violência doméstica.

Destacam-se também os índices de violência patrimonial e sexual entre mulheres com deficiência, com 46% e 39% relatando, respectivamente, esse tipo de abuso.

Além disso, a pesquisa revelou a falta de conhecimentos sobre mecanismos legais de proteção, com 18% desconhecendo a Lei Maria da Penha. Barreiras enfrentadas por essas mulheres dificultam o acesso às redes de proteção.

De acordo com o levantamento, 65% dos agressores são maridos ou companheiros das vítimas, indicando a necessidade de intervenções específicas no ambiente familiar.