NEGÓCIO

O delivery de tudo

Com um consumidor ainda mais ativista, paradoxalmente as lojas vão ser também um espaço para atenuar a culpa pelo consumo exacerbado


Delivery

Delivery Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

*Por Lyana Bittencourt

A vida na quarentena impôs a todos uma mudança significativa nos hábitos. Assim como o consumidor, as empresas também estão testando novos modelos para atender o “novo normal” e estão buscando se reinventar rapidamente. Nesse cenário, serviços, novos modelos de negócios e posturas criados durante a pandemia do Covid-19 deverão se tornar permanentes após a crise.

É fato que muitas marcas estão acelerando o seu processo de transformação digital. Quem estava na fase de planejamento sobre os caminhos a serem seguidos e teve que acelerar as decisões para colocar as mudanças em prática. Quem não estava se planejamento teve que correr para a execução em um timing muito, muito curto, forçados pelo Covid-19.

Um dos fenômenos que essa digitalização acelerada evidenciou é o que chamo de “delivery de tudo”. Trata-se de uma transformação radical na relação entre as marcas e os consumidores. Apenas consumo de bens e serviços não são mais suficientes para os consumidores, cada vez mais as experiências são desejadas e demandadas para as marcas. Já passávamos por um processo de ressignificação do papel da loja no varejo tradicional, visto as mudanças de cenário e do consumidor no pré-crise. No pós-crise, isso será ainda mais urgente.

O ponto de venda e de prestação de serviços como delivery de tudo Privados do convívio social, o desejo por um envolvimento mais humano e emocional se torna ainda mais latente no consumidor, e as lojas, restaurantes, clínicas, e outros negócios devem deixar de ser apenas um canal para vender produtos e serviços. São nesses espaços que o cliente vai efetivamente identificar valor no relacionamento que as marcas estabelecem com ele. Valor esse que ficou mais exposto durante a quarentena. A forma como as marcas se comportam e se relacionam durante a crise ficou muito evidente. Muitas deixaram clara a coerência entre o discurso com a prática.

Com um consumidor ainda mais ativista, paradoxalmente as lojas vão ser também um espaço para atenuar a culpa pelo consumo exacerbado. O varejo quase entrou em colapso porque as pessoas estão - de forma compulsória, vale dizer - consumindo só o que precisam. As marcas vão encontrar no movimento upcycling – reduce, reuse, recycle - a forma de entregar além do benefício pessoal de consumir determinado produto ou serviço, também algum benefício social, ecológico, humanitário. O ponto de venda passa a fazer também parte de um delivery de indulgência pelo consumo.

Nesse cenário todos os pontos de venda, podem se tornar um ponto de delivery de serviços e conveniência.  Por que não comprar uma roupa e fazer os ajustes ali mesmo? Ir no supermercado e aproveitar para almoçar num ambiente descontraído e diferente? Que tal ir em um home center e além de comprar os itens para a reforma, sair de lá com um novo projeto de design para seu apartamento?

Os mais diversos pontos de vendas e de prestação de serviços passam efetivamente a ampliar o seu escopo, além de vender produtos e serviços um hub de delivery de tudo. Esse os torna relevante e indispensável, para um consumidor que já descobriu que para comprar produtos ou serviço, ele nem precisa sair de casa.

*Por Lyana Bittencourt, diretora executiva do Grupo BITTENCOURT - consultoria especializada em desenvolvimento, expansão e gestão de redes de franquias e negócios 

Sobre o Grupo BITTENCOURT

Consultoria com mais de 3 décadas de mercado especializada no desenvolvimento, gestão e expansão de redes de negócios e franquias. O grupo foi fundado por Claudia Bittencourt, com o objetivo inicial de apoiar as empresas em seus processos e estratégias de crescimento. Hoje consolidada como uma plataforma de produtos e serviços diversos, atua junto à indústria e ao varejo como um dos maiores especialistas em expansão de negócios em diversos segmentos.

Fonte: Gabriela Albach

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Debora Ghelman

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