O Supremo Tribunal Federal (STF) realiza nesta terça-feira (15), a partir das 10h, uma sessão extraordinária para analisar o relatório da Polícia Federal que reúne mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O plenário deverá decidir o que será feito com as informações e se há elementos que justifiquem a abertura de uma investigação.
A sessão será transmitida pela TV Justiça e pela internet. Acompanhe ao vivo:
O caso chegou ao plenário após a divulgação de um relatório da PF produzido a partir de dados encontrados no celular de Vorcaro. Segundo a Agência Brasil, o documento reúne 52 mensagens enviadas pelo ex-banqueiro a Moraes entre 2023 e novembro de 2025. Em parte delas, Vorcaro teria tratado de questões relacionadas à sua defesa e a um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
A sessão será conduzida pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin. Pelo rito definido pela Corte, haverá a leitura do relatório, manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e, em seguida, a votação dos ministros. Ainda não está confirmado se Alexandre de Moraes participará do julgamento.
O que os ministros vão analisar
Entre os principais pontos está a validade do procedimento que levou à identificação das conversas entre Vorcaro e Moraes. A PGR pediu a anulação do relatório da PF, argumentando que houve irregularidade na forma como a investigação avançou sobre informações envolvendo um ministro do Supremo.
Os ministros também poderão definir qual será o destino das informações caso entendam que o relatório não pode ser utilizado da forma como foi produzido. Uma das possibilidades é permitir uma nova análise dos elementos por outro integrante do Ministério Público.
A eventual abertura de investigação não significa condenação nem comprovação de irregularidade. O objetivo seria permitir o aprofundamento da apuração sobre os fatos.
Crise entre ministros
O julgamento ocorre em meio a um confronto interno no Supremo envolvendo Moraes e André Mendonça, que inicialmente era responsável pelo caso relacionado ao Banco Master.
Moraes contestou o relatório e classificou o material produzido no âmbito da investigação como uma tentativa de atingi-lo. Em manifestação enviada a Fachin, o ministro negou irregularidades e afirmou que o documento não demonstra qualquer infração de sua parte.
A PGR, por outro lado, também questionou a validade do relatório e pediu que ele fosse anulado.
Julgamento pode ser interrompido
Além da possibilidade de divergências entre os ministros, o julgamento poderá ser interrompido caso algum integrante peça vista — mecanismo que permite mais tempo para análise do processo.
A participação de alguns ministros também pode ser discutida durante a sessão, diante das relações de cada um com o caso. Dias Toffoli, por exemplo, já havia declarado impedimento em processos relacionados ao Banco Master.
O resultado desta terça-feira poderá definir se as informações envolvendo Moraes serão encaminhadas para uma investigação formal ou se o relatório da PF será considerado inválido.