O pastor Silas Malafaia defendeu que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) escolha uma mulher nordestina para compor a chapa como candidata à vice-presidência nas eleições de 2026. Segundo o líder religioso, a estratégia pode ampliar o alcance eleitoral do parlamentar, especialmente entre o eleitorado feminino e na região Nordeste.
Em entrevista à jornalista Bela Megale, do jornal O Globo, Malafaia afirmou que apresentou diretamente ao senador sua avaliação sobre o perfil ideal para a vice.
"Falei para o Flávio: você precisa escolher uma mulher do Nordeste. Essa escolha mostra que você é um cara de família, que não rejeita a mulher."
Na avaliação de Malafaia, a candidata ideal deveria ser uma "nordestina raiz" e não pertencer ao segmento evangélico, já que Flávio Bolsonaro é evangélico.
Segundo ele, a composição buscaria equilibrar regionalmente e religiosamente a chapa, além de aumentar a competitividade eleitoral em uma região onde a família Bolsonaro historicamente enfrenta maior resistência.
Malafaia também descartou nomes ligados ao agronegócio e ao empresariado para ocupar a vaga de vice, afirmando que esses perfis não agregariam votos suficientes. Nos bastidores, são citadas como possíveis opções a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques.
Durante a conversa com Flávio Bolsonaro, o pastor relembrou que fez sugestão semelhante ao ex-presidente Jair Bolsonaro antes das eleições de 2022.
Segundo Malafaia, cerca de um mês antes da convenção partidária, ele defendeu que Bolsonaro escolhesse um vice nordestino para equilibrar a disputa eleitoral.
"Expliquei para ele que era de fundamental importância escolher um vice do Nordeste."
Na ocasião, Malafaia sugeriu o então ministro do Turismo, Gilson Machado, mas Jair Bolsonaro manteve o general Walter Braga Netto como candidato a vice-presidente.
Apesar de elogiar Braga Netto, o pastor avaliou que a escolha não trouxe ganhos eleitorais para a chapa.
"Era um cara decente, um brasileiro fenomenal, mas não somava nada à sua campanha."
Para Malafaia, a derrota de Bolsonaro em 2022 reforçou a importância de considerar fatores regionais e eleitorais na composição da chapa presidencial.
Apesar das sugestões, o líder religioso ressaltou que não participa da decisão sobre quem será o vice de Flávio Bolsonaro.
"É uma opinião que eu dei ao Flávio Bolsonaro. Eu não tenho o poder de decidir nada", declarou.