Lula e Flávio Bolsonaro divergem sobre racismo e religião

Idafro compara planos dos candidatos em questões raciais e religiosas no Brasil

O debate sobre racismo e intolerância religiosa marca a campanha eleitoral no Brasil, com comparações entre os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (Idafro) publicou uma análise detalhada das posições dos candidatos.

Enquanto Lula reconhece a discriminação racial como raiz de desigualdades, propondo medidas como ações afirmativas e regularização de terras quilombolas e indígenas, Flávio Bolsonaro nega a existência de racismo nas suas declarações e programa de governo.

O Idafro destaca a ausência de termos como "racismo" e "inclusão racial" no plano de Flávio, com base em levantamentos feitos em sites oficiais. O dossiê Igualdade Racial e Racismo Religioso nas Ações e Posições de Lula e Flávio está disponível na íntegra na internet.

Na questão da segurança pública, o sistema de reconhecimento facial defendido por Flávio é visto pelo instituto como um risco de criminalização para pessoas negras, devido a taxas de erro mais altas em rostos negros. O programa de Lula, por outro lado, foca na proteção da juventude negra contra violência.

O Idafro também aponta o compromisso de Lula com o combate ao racismo religioso, citando a criação de políticas de proteção aos terreiros religiosos. Episódios de desinformação contra Lula durante a campanha, envolvendo religiões de matriz africana, também são mencionados.

A campanha de Flávio Bolsonaro foi procurada para responder ao levantamento, mas não se manifestou até o momento.

O cenário religioso no Brasil é variado, com maiorias católica e evangélica convivendo sob um Estado laico, conforme a Constituição. Denúncias de intolerância religiosa registradas entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, somaram 2.774 casos, de acordo com o Disque Direitos Humanos.