O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) apresentou nesta segunda-feira (31) um vídeo e um laudo técnico que, segundo sua campanha, contradizem a versão apresentada anteriormente sobre a atuação da Polícia Militar no episódio envolvendo seu motorista.
De acordo com Haddad, as imagens e a análise técnica demonstram que uma das viaturas policiais teria parado nas proximidades do veículo utilizado por seu motorista, que estava estacionado em frente a um hotel na zona sul da capital paulista.
“a notícia dada de que a viatura não parou está completamente desmentida. Não existe isso. Está completamente consignado nos autos que não existe”, afirmou Haddad.
Laudo aponta parada de viatura por cerca de 20 minutos
Segundo o documento apresentado pela campanha do candidato petista, uma das viaturas teria parado próximo ao veículo e permanecido na região por aproximadamente 20 minutos.
A informação contrasta com a versão apresentada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que havia afirmado que não houve perseguição ao carro utilizado pelo motorista de Haddad.
Segundo a versão sustentada pelo governo paulista, as viaturas teriam apenas cruzado com o veículo e continuado o patrulhamento. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo também afirmou que não houve perseguição.
A pasta informou que uma das viaturas estava retornando para a base, enquanto a outra realizava patrulhamento regular na região.
Procuradoria arquivou investigação eleitoral contra Tarcísio
A Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo decidiu arquivar a investigação contra Tarcísio de Freitas por suposto crime eleitoral relacionado ao episódio.
Apesar do arquivamento, o procurador regional eleitoral Paulo Taubemblatt avaliou que a movimentação das equipes policiais não poderia ser considerada simplesmente uma coincidência.
Segundo o parecer, o encontro de duas viaturas táticas com o carro utilizado pelo motorista de Haddad em um intervalo de 44 minutos, dentro de uma área restrita, “fragiliza” a explicação de que a presença das equipes no local teria ocorrido por acaso.
Embora não tenha identificado responsabilidade eleitoral do governador, a Procuradoria encaminhou o caso ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) para que seja analisada a possibilidade de eventual irregularidade administrativa na atuação dos policiais.
Caso começou após relato de abordagem ao motorista
O episódio teve início depois que o motorista de Haddad relatou ter sido alvo de uma abordagem que considerou fora dos padrões da Polícia Militar.
O fato ocorreu durante um deslocamento após o motorista deixar Haddad em sua residência, no bairro Planalto Paulista.
A partir do relato, foram levantadas diferentes versões sobre a movimentação das viaturas e a forma como os policiais teriam acompanhado ou se aproximado do veículo.
Enquanto a Secretaria de Segurança Pública afirma que não houve perseguição, o material apresentado pela campanha de Haddad sustenta que uma das viaturas teria parado próximo ao carro e permanecido no local por cerca de 20 minutos.
Haddad diz que objetivo é esclarecer os fatos
Após apresentar o vídeo e o laudo, Haddad afirmou que nunca acusou diretamente Tarcísio de Freitas pelo episódio.
O candidato declarou que a apuração deve servir para esclarecer o que aconteceu e garantir que a disputa eleitoral ocorra sem constrangimentos ou ações que estejam fora dos protocolos estabelecidos para a atuação da Polícia Militar.
Com o arquivamento da investigação eleitoral, não houve responsabilização de Tarcísio por crime eleitoral. Ao mesmo tempo, o encaminhamento ao Ministério Público mantém em análise a atuação administrativa dos agentes envolvidos.
O caso permanece marcado pela divergência entre a versão oficial apresentada pela Secretaria de Segurança Pública, de que não houve perseguição, e os elementos apontados no laudo contratado pela campanha de Haddad, que indicam que uma das viaturas teria parado nas proximidades do veículo.