O portal Diário do Centro do Mundo (DCM) publicou neste sábado (10) uma denúncia de que a revista Veja teria negociado com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a obtenção de uma concessão de televisão aberta em troca da publicação de uma reportagem com acusações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo o DCM, a informação foi repassada por uma fonte que afirma ter recebido o relato diretamente de um diretor da revista. A suposta negociação envolveria a promessa de um canal de TV aberta semelhante ao da Jovem Pan, em um movimento que permitiria à empresa ampliar sua atuação para além do streaming.
De acordo com a denúncia, a negociação estaria relacionada à reportagem publicada pela Veja na sexta-feira (9), que divulgou áudios atribuídos a Vorcaro sobre um suposto financiamento irregular do documentário Lula, dirigido pelo cineasta norte-americano Oliver Stone. O DCM afirma que a publicação teria sido solicitada pela direção da Editora Abril, responsável pela revista.
Até o momento, as informações apresentadas pelo DCM sobre uma eventual troca envolvendo a concessão de TV não constituem comprovação pública de um acordo entre as partes.
PF nega depoimento atribuído a Vorcaro
A reportagem da Veja apresentou acusações de que Vorcaro teria destinado cerca de R$ 30 milhões, em dinheiro vivo, para financiar o documentário sobre Lula. O ex-banqueiro aparece em um áudio divulgado pela revista afirmando que teria contribuído para a produção.
A Polícia Federal, porém, negou que Vorcaro tenha prestado depoimento com o conteúdo descrito pela publicação ou entregado documentos e anexos com essas informações. A corporação também informou que recebeu uma notícia-crime relacionada à reportagem e encaminhou o caso para análise técnica
A Procuradoria-Geral da República (PGR) também negou a existência do depoimento citado. Segundo informações divulgadas pela imprensa, as propostas de colaboração premiada apresentadas pela defesa do ex-banqueiro não resultaram em uma delação aceita pelas autoridades.
O advogado criminalista Daniel Bialski, responsável pela defesa de Vorcaro, afirmou que o cliente não prestou depoimento recente à Polícia Federal sobre o suposto repasse de recursos para o filme. A defesa também declarou desconhecer o documento e o áudio divulgados pela revista.
Documentário e financiamento de produções políticas
O caso também envolve discussões sobre o financiamento de produções audiovisuais relacionadas a figuras políticas. O DCM menciona que Flávio Bolsonaro negociou recursos com Vorcaro para o filme Dark Horse, uma produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Reportagem do Intercept Brasil, citada pelo DCM, apontou uma negociação de US$ 24 milhões, dos quais pelo menos US$ 10,6 milhões teriam sido pagos. O caso apresenta diferenças em relação às acusações divulgadas sobre o documentário de Lula, que foram contestadas pela defesa de Vorcaro e negadas pela PF e pela PGR nos termos apresentados pela Veja.
A equipe de Oliver Stone também negou que o documentário Lula tenha recebido dinheiro de Vorcaro ou do Banco Master. Segundo informações publicadas pela coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, os representantes do cineasta afirmaram que ele nunca conheceu o ex-banqueiro e não teve contato com ele sobre financiamento da obra.
A campanha de Lula classificou a publicação da Veja como uma farsa e anunciou medidas judiciais contra os envolvidos, além de solicitar que a Polícia Federal investigue a autenticidade das declarações divulgadas.
Até o momento, a suposta negociação entre Flávio Bolsonaro e a Veja por uma concessão de televisão aberta permanece como uma denúncia atribuída a uma fonte pelo DCM. A comprovação de eventual acordo depende de apuração independente.