A crise político-institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) tem ofuscado o debate sobre as propostas de campanha nas eleições de 2026. A menos de um mês do primeiro turno, entidades da sociedade civil destacam que as disputas entre ministros têm dominado o noticiário, desviando o foco dos desafios nacionais.
De acordo com a presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro, o debate eleitoral está prejudicado pela atenção voltada à crise no Judiciário. Francilene Garcia, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), ressaltou que temas como ciência e desenvolvimento nacional estão à margem das discussões.
No mesmo sentido, Daniel Cara, da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, afirmou que as eleições de 2026 são cruciais, mas temas como desenvolvimento econômico e soberania nacional estão ausentes dos programas de governo.
Rita Serrano, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), pontua que questões trabalhistas e econômicas foram deixadas em segundo plano. A crise também dificulta o avanço de pautas no Congresso, como a regulamentação da negociação coletiva no setor público.
Para Márcio Astrini, do Observatório do Clima, a crise climática deveria ser prioridade. Ele critica candidatos que ignoram ou negam a importância da questão, apesar dos impactos recentes de eventos extremos no Brasil.
Além do enfoque na crise institucional e seus desdobramentos políticos, Alcebias Constantino, da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, reforça que a proteção dos territórios indígenas é uma luta constante. O movimento lançou 56 candidatos para fortalecer sua presença na política.