A Secretaria da Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) deflagrou, na manhã desta quarta-feira, 15 de julho de 2026, a Operação Chip Falso, contra uma associação criminosa investigada por fraudes eletrônicas e invasões de sistemas informáticos. A ação foi realizada em Teresina e resultou, segundo o balanço inicial, na prisão de dez pessoas.
Coordenada pelo Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC) da Polícia Civil do Piauí, a operação mobilizou forças especializadas da segurança pública para o cumprimento de 30 mandados judiciais, entre ordens de prisão e de busca e apreensão.
Durante as diligências, policiais apreenderam aparelhos celulares e computadores, que deverão ser submetidos à análise técnica e pericial. O material poderá ajudar os investigadores a identificar a extensão das fraudes, o número de vítimas e a eventual participação de outras pessoas no esquema.
A investigação aponta que o grupo utilizava uma modalidade de fraude conhecida internacionalmente como SIM Swap, na qual criminosos conseguem transferir, de forma ilícita e sem autorização, a linha telefônica de uma vítima para outro chip sob seu controle.
A partir desse momento, os criminosos passam a receber chamadas e mensagens destinadas ao verdadeiro titular da linha, criando condições para assumir contas em aplicativos, tentar acessar serviços financeiros e praticar outros golpes.
Grupo tinha central de operações em residência de Teresina
Um dos principais pontos identificados durante a investigação foi a existência de uma estrutura utilizada como central operacional do grupo criminoso. Segundo a SSP-PI, o espaço funcionava em uma residência localizada em Teresina. No imóvel, os investigados mantinham equipamentos e recursos utilizados na execução das fraudes.
A investigação aponta que o grupo utilizava documentos falsificados, selfies biométricas manipuladas e até imagens produzidas com auxílio de inteligência artificial para tentar superar sistemas de verificação de identidade.
A técnica é descrita pelos investigadores como “injeção de selfie”. O objetivo seria apresentar aos sistemas digitais uma imagem manipulada para simular a presença da verdadeira vítima e, assim, tentar burlar mecanismos de autenticação. O uso desse tipo de recurso demonstra, segundo a linha investigativa, um nível de organização e especialização tecnológica do grupo.
Como funcionava o golpe do chip falso
A fraude conhecida como SIM Swap começa quando criminosos conseguem assumir o controle do número de telefone de outra pessoa. De acordo com a investigação, as linhas de clientes legítimos eram transferidas, sem autorização, para chips virgens que estavam em poder dos integrantes do grupo.
Quando a transferência era concluída, o aparelho da vítima podia perder repentinamente o sinal da operadora. Enquanto isso, o chip controlado pelos criminosos passava a receber comunicações vinculadas ao número telefônico. O controle da linha poderia então ser utilizado como uma porta de entrada para outras fraudes.
Segundo a SSP-PI, o grupo investigado utilizava esse método para clonar ou assumir contas de WhatsApp, acessar contas bancárias e realizar compras fraudulentas com cartões de crédito das vítimas.
WhatsApp das vítimas era usado para aplicar novos golpes
Uma das práticas atribuídas ao grupo era a tomada de controle de contas do WhatsApp. Com acesso ao número telefônico da vítima, os criminosos podiam tentar assumir a conta no aplicativo e se passar pelo verdadeiro usuário.
A partir daí, os contatos da vítima poderiam receber mensagens fraudulentas, geralmente com pedidos de dinheiro, transferências ou outras formas de obtenção de vantagem financeira.
Esse tipo de crime amplia o número potencial de vítimas, já que o golpe pode começar com o controle de uma única linha telefônica e, posteriormente, atingir familiares, amigos e contatos profissionais do titular da conta. A investigação também apura situações de extorsão de terceiros a partir das contas controladas pelos criminosos.
Contas bancárias e cartões também eram alvos
A Operação Chip Falso investiga ainda o uso das linhas telefônicas sequestradas para tentar acessar serviços financeiros. Segundo a SSP-PI, os investigados são suspeitos de realizar invasões de contas bancárias e transferências financeiras indevidas.
Outra prática atribuída ao grupo é a realização de compras fraudulentas com cartões de crédito das vítimas. Os aparelhos eletrônicos apreendidos durante a operação poderão ajudar a esclarecer a movimentação financeira do esquema e identificar eventuais transações relacionadas às fraudes.
A Polícia Civil deverá analisar os dispositivos e outros elementos reunidos durante o cumprimento dos mandados.
Inteligência artificial era usada para tentar burlar sistemas
Um dos aspectos que mais chama atenção na investigação é o suposto uso de inteligência artificial para produzir ou manipular imagens utilizadas nas fraudes. Com a ampliação da autenticação biométrica em bancos, operadoras e plataformas digitais, sistemas de reconhecimento facial passaram a ser utilizados como uma camada adicional de segurança.
A investigação aponta, porém, que o grupo buscava desenvolver formas de contornar essas barreiras. Segundo a SSP-PI, os suspeitos utilizavam selfies biométricas manipuladas e imagens geradas por inteligência artificial para tentar enganar os mecanismos de validação de identidade. A apuração deverá esclarecer a dimensão desse uso e quais sistemas teriam sido alvos das tentativas de fraude.
Dez pessoas foram presas
O balanço inicial da Operação Chip Falso aponta a prisão de dez pessoas nesta quarta-feira (15). A SSP-PI não divulgou, nas informações iniciais, os nomes dos presos. Também não foi detalhada a distribuição dos 30 mandados judiciais entre ordens de prisão e de busca e apreensão.
As investigações continuam sob responsabilidade do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos. A análise dos celulares, computadores e demais elementos apreendidos poderá resultar em novas diligências e ajudar a Polícia Civil a identificar outras pessoas eventualmente ligadas ao esquema.
Operação mobilizou unidades especializadas
Além do DRCC, responsável pela coordenação da investigação, a Operação Chip Falso contou com o apoio de diferentes unidades das forças de segurança do Piauí.
Participaram da ação a Superintendência de Operações Integradas (SOI/SSP-PI), por meio da Força Estadual Integrada de Segurança Pública (FEISP), além da Diretoria de Operações Policiais (DEOP) e do Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO).
A mobilização conjunta foi necessária para o cumprimento simultâneo das ordens judiciais e a apreensão dos materiais considerados importantes para a investigação.
Perda repentina do sinal pode ser um alerta
A Polícia Civil do Piauí orienta a população a ficar atenta a possíveis sinais de um ataque do tipo SIM Swap.
Um dos principais indícios é a perda repentina e prolongada do sinal da linha telefônica, incluindo chamadas e acesso à internet móvel, sem uma explicação aparente.
Nessa situação, o usuário deve entrar em contato imediatamente com a operadora para verificar se houve alguma solicitação de troca de chip ou transferência da linha sem autorização.
Também é recomendável observar tentativas inesperadas de recuperação de senha, mensagens sobre alterações cadastrais não solicitadas e movimentações desconhecidas em contas digitais.
Caso seja constatada uma fraude, a vítima deve preservar registros, mensagens, comprovantes e demais informações que possam auxiliar a investigação e procurar as autoridades competentes.