PF não encontra provas contra Lulinha e pede mais tempo para investigar

A solicitação ocorreu após trocas internas anteriores na Polícia Federal, que, na avaliação de Mendonça, contribuíram para a demora no avanço da operação

A Polícia Federal informou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que precisará de mais prazo para concluir a análise do material apreendido na operação Sem Desconto, que investiga fraudes no INSS. A apuração inclui a avaliação da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT), autorizada pelo ministro em fevereiro.

Mendonça havia determinado que a PF concluísse em até 60 dias a análise de celulares, HDs, pen drives e outros itens apreendidos com presos da operação e investigados submetidos a medidas restritivas. A cobrança ocorreu após o relator demonstrar insatisfação com a lentidão das investigações.

No último dia 9, a corporação afirmou que conseguiria avaliar o material recolhido com os presos em 30 dias, mas precisaria de até seis meses para examinar os itens ligados aos demais investigados. Segundo a PF, a equipe atual conta com 11 agentes, embora fossem necessários mais de 40 para acelerar os trabalhos. A análise global envolve cerca de 1.700 itens e ainda estaria em estágio inicial, com aproximadamente 40% do material concluído.

O ministro também pediu que a corporação mantivesse a equipe responsável pela investigação e, caso houvesse mudanças, apresentasse justificativas no processo. A solicitação ocorreu após trocas internas anteriores na Polícia Federal, que, na avaliação de Mendonça, contribuíram para a demora no avanço da operação.

Autoridades que acompanham o caso avaliam que a Sem Desconto, iniciada em 23 de abril de 2025, avança em ritmo mais lento do que a operação Compliance Zero, que apura fraudes no Banco Master e teve sua primeira fase deflagrada em 18 de novembro.

André Mendonça, ministro do STF Na resposta enviada ao STF, a PF informou que o delegado responsável pelo comando da operação precisou deixar a investigação para retornar à sua região de origem.

Antes disso, a corporação já havia retirado o caso da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários e transferido a apuração para a Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores, setor responsável por investigações envolvendo pessoas com foro privilegiado.

A mudança surpreendeu o delegado Guilherme Figueiredo Silva, então chefe da divisão anterior. A PF afirmou que a transferência buscou garantir maior eficiência às investigações, já que a nova coordenação teria estrutura para conduzir operações sensíveis em tramitação no STF.

As alterações internas alimentaram acusações da oposição de suposta proteção ao filho do presidente. Uma das linhas da investigação apura se Lulinha seria sócio oculto do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS e apontado como um dos operadores centrais do esquema.

Também ainda não chegou ao gabinete de Mendonça uma definição sobre a nova tentativa de delação do empresário Maurício Camisotti, negociada desde maio com a PF e a PGR. Empresas ligadas a ele teriam recebido transferências da Ambec, uma das principais entidades investigadas.

Outro ponto pendente envolve Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Conafer, que está foragido. Apontado como líder do esquema na entidade, ele teve a prisão preventiva decretada em 11 de novembro. Segundo a CGU, a Conafer foi a segunda entidade com mais descontos em aposentadorias entre 2019 e 2024, somando R$ 484 milhões.