Oito mortos e 15 presos acusados da chacina que matou mulher grávida e filho de 4 anos

A chacina ocorreu no interior do Maranhão. A Polícia afirma que pelo menos 20 pessoas ligadas ao Comando Vermelho participaram do crime

A jovem Samira Costa Correia, de 31 anos, que estava grávida de três meses, e o filho dela, Yan Kaleb Costa Santos, de apenas 4 anos, foram mortos e queimados dentro da própria casa, incendiada num ataque brutal de homens armados. O crime, ocorrido no dia 10 de julho em São João Batista, a 291 km de São Luís, chocou o Maranhão e expõe a escalada de violência das facções criminosas, que há anos se espalham e aterrorizam as pequenas cidades do interior do estado.

No meio da semana, em uma operação de combate aos faccionados, a Polícia do Maranhão prendeu 15 suspeitos e matou oito em confrontos. A informação foi divulgada na quarta-feira (22) à tarde, pela Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP) em coletiva de imprensa. Cerca de 20 pessoas são investigadas por participação no crime, que teria sido cometido por integrantes do Comando Vermelho.

A informação também foi confirmada pelo governador do Maranhão, Carlos Brandão, em suas redes sociais. Ele aproveitou para parabenizar as forças de segurança do seu estado pelo trabalho de combate às facções.

"Informo que nossas forças de segurança prenderam mais dois investigados pelo bárbaro crime em São João Batista, e outros três morreram durante confronto com a polícia. São 15 presos e 8 mortos desde o início das operações desse caso. Parabenizo as equipes pela resposta rápida e firme contra as facções criminosas em nosso estado", disse o governador no X, ex-tuiter.

Vingança como motivação

Segundo as investigações, os criminosos invadiram a casa à procura do marido de Samira, Josef Abreu Santos, que seria o principal alvo do ataque. A polícia afirma que ele teria integrado o Comando Vermelho e depois mudado para outra facção criminosa, o que teria motivado a vingança . Como ele não estava no imóvel, os criminosos atacaram os familiares.

"O marido da vítima fazia parte da facção que realizou o ataque e teria, supostamente, mudado de lado ou saído da organização sem a autorização dos integrantes. Eles foram até o local para cobrar e vingar essa saída dele", afirmou o delegado Ederson Martins, coordenador de Operações da SSP-MA.

O marido colaborou com a investigação, ajudou a identificar suspeitos e agora poderá ser incluído no programa estadual de proteção a testemunhas. Ele nega ter feito parte de qualquer facção criminosa.

Policias do BOPE da PM do Maranhão durante a operação em São João Batista A interiorização do crime organizado

O caso em São João Batista não é um fato isolado. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que o crime organizado deixou de ser um fenômeno restrito às grandes cidades. Atualmente, 41,2% dos brasileiros reconhecem a presença de facções ou milícias em seus bairros – o que representa cerca de 68,7 milhões de pessoas.

No Maranhão, a situação é particularmente grave. O estado abriga simultaneamente facções de alcance nacional, como o Comando Vermelho e o PCC, além de organizações locais como o Bonde dos 40 (B40). Ao todo, 53 municípios maranhenses na Amazônia Legal possuem presença confirmada de grupos criminosos, e há cidades onde até quatro facções disputam território.

Operações continuam

A SSP afirmou que as operações fazem parte das ações de combate às facções criminosas no Maranhão e que novas diligências poderão ser realizadas para localizar os demais envolvidos. Os investigados poderão responder por duplo homicídio, aborto e participação em organização criminosa.

A perícia ainda investiga se as vítimas morreram durante o incêndio ou se já estavam sem vida quando a casa foi incendiada. A liberação dos corpos pelo IML depende da conclusão dos exames de DNA.