O empresário Francisco das Chagas Chaves da Silva, conhecido como Chico Trader, gravou um vídeo nas redes sociais antes de ser preso, no qual nega que estivesse foragido e assume toda a responsabilidade pela empresa Xtreme, investigada por suspeita de operar um esquema de pirâmide financeira que, segundo a Polícia Civil, teria aplicado um golpe de cerca de R$ 600 milhões em 300 investidores no Piauí e no Maranhão.
Na gravação, Chico Trader afirmou que deixou a cidade onde morava por causa de ameaças e para proteger a própria família. Ele também disse que, no início das investigações, prestou depoimento por videoconferência e que permaneceu à disposição das autoridades para prestar novos esclarecimentos.
"O delegado tinha contato com meus advogados e, se quisesse falar comigo ou solicitar minha presença, era só ter mandado uma mensagem ou uma ligação que eu estaria à disposição", declarou.
O empresário afirmou ainda que decidiu se apresentar após tomar conhecimento do mandado de prisão expedido contra ele e contra a namorada, além da prisão de dois colaboradores da empresa.
No vídeo, Chico Trader também assumiu integralmente a responsabilidade pela Xtreme e negou qualquer participação da companheira e dos funcionários nas decisões da empresa.
"Eu era a única pessoa da Xtreme que operava e fazia a gestão. Toda a responsabilidade sobre a empresa é minha. Se ela vier à falência, eu sou o responsável", afirmou.
Ele acrescentou que a namorada "não tem nada a ver com a negociação da Xtreme", alegando que ela não conhecia o funcionamento da empresa nem teria usufruído dos recursos. Sobre os colaboradores presos, disse que ambos apenas confiavam em seu trabalho e que "não tem responsável além de mim".
O suspeito classificou o caso como uma "falência empresarial" e disse esperar que "tudo seja esclarecido no decorrer das investigações".
Prisão e investigação
Chico Trader foi preso após se apresentar ao Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), onde foi cumprido o mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça.
De acordo com a Polícia Civil, ele é apontado como líder de um esquema de pirâmide financeira que teria movimentado cerca de R$ 600 milhões e causado prejuízos a mais de 300 investidores no Piauí e no Maranhão. As investigações indicam que a empresa Xtreme prometia rendimentos mensais de até 10% por meio de supostas operações no mercado financeiro.
O empresário estava na lista de difusão vermelha da Interpol e era considerado foragido havia mais de um ano, segundo a polícia. O caso continua sendo investigado, e a Justiça também mantém mandado de prisão contra Kayra Cardoso Guimarães.