Um superiate avaliado em 350 milhões de euros, aproximadamente R$ 2 bilhões, que teria pertencido ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, passou para as mãos do bilionário Nik Storonsky, cofundador do banco digital Revolut. A negociação veio a público nesta terça-feira (4) por meio de documentos de uma ação que tramita na Alta Corte de Londres.
A embarcação tem 102 metros de comprimento e foi construída pelo estaleiro alemão Lürssen. Batizado de Nixie, o superiate possui piscina de borda infinita com fundo de vidro, heliponto, academia, clube de praia, câmara de crioterapia e cabines com capacidade para acomodar 12 convidados.
Segundo informações do jornal britânico Financial Times, reproduzidas pela Folha de S.Paulo e pelo UOL, o iate foi inicialmente encomendado pelo empresário canadense e ex-jogador de hóquei Patrick Dovigi. Antes da entrega, a embarcação teria sido vendida a um “brasileiro preso sob acusação de fraude em novembro de 2025”.
Embora a petição apresentada à Justiça britânica não mencione Daniel Vorcaro nominalmente, as reportagens relacionam a descrição ao ex-controlador do Banco Master, preso naquele mês durante uma investigação da Polícia Federal. Por essa razão, o vínculo entre o empresário e a embarcação deve ser tratado como uma informação atribuída aos documentos judiciais e às reportagens que tiveram acesso ao processo.
Iate teria sido recomprado após prisão
Conforme a sequência apresentada no processo, Patrick Dovigi teria recomprado o superiate depois da prisão de Vorcaro. Posteriormente, em janeiro de 2026, a embarcação foi vendida ao cofundador da Revolut, Nik Storonsky. A transação tornou-se objeto de uma disputa judicial movida pela corretora britânica Cecil Wright & Partners. A empresa afirma ter apresentado o iate aos representantes de Storonsky, mas sustenta que o negócio foi concluído diretamente com Dovigi, sem a sua participação na etapa final.
A corretora cobra uma comissão equivalente a 5% da operação, no valor de 17,5 milhões de euros — cerca de R$ 102 milhões. A empresa argumenta que foi a responsável por aproximar o comprador da embarcação e, por isso, teria direito à remuneração. Um porta-voz do escritório que administra o patrimônio de Storonsky declarou ao Financial Times que a ação não possui fundamento e será contestada. Vorcaro não é réu nessa disputa, que envolve a corretora e o fundador da Revolut.
Relação com o caso Banco Master
Daniel Vorcaro foi preso em novembro de 2025 no âmbito da investigação sobre supostas irregularidades envolvendo o Banco Master. O empresário nega ter cometido irregularidades, e sua defesa afirma que ele colabora com as autoridades. Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e de outras empresas do conglomerado. A medida interrompeu as atividades das instituições alcançadas pela decisão e colocou o patrimônio do grupo sob administração de liquidantes designados pela autoridade monetária.
A revelação sobre o superiate amplia a exposição pública do patrimônio de luxo relacionado ao ex-controlador da instituição. No entanto, o processo em Londres não discute a origem dos recursos usados na aquisição da embarcação nem atribui crime a Vorcaro em razão dessa negociação. A ação trata exclusivamente da comissão reivindicada pela corretora na venda posterior do iate.
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Crédito sugerido: Divulgação/Lürssen
Fontes: UOL, Folha de S.Paulo e Banco Central.