MPF emprega inteligência artificial para apurar assédio na PRF

Tecnologia analisa casos de discriminação de gênero dos últimos cinco anos

O Ministério Público Federal (MPF) está utilizando inteligência artificial para monitorar processos disciplinares abertos na Polícia Rodoviária Federal (PRF) nos últimos cinco anos. A tecnologia foi desenvolvida para analisar casos de assédio e violência de gênero, contribuindo para a atuação mais eficaz dos procuradores e a proteção reforçada das vítimas.

A iniciativa surgiu após denúncias de mulheres policiais e servidoras de órgãos federais sobre a falta de punição em casos de discriminação de gênero. Desenvolvida pela Câmara de Controle Externo da Atividade Policial e a Subsecretaria de Inteligência Artificial, a ferramenta examina todo o fluxo de apuração, desde o relato inicial até o resultado final dos processos investigativos.

A análise revelou que 76,92% dos investigados são homens, com vítimas variando entre policiais, agentes, terceirizadas e cidadãs. Dos 52 procedimentos estudados, apenas oito resultaram em abertura de Processo Administrativo Disciplinar (PAD), enquanto muitos foram arquivados sem encaminhamento ao MPF.

Além de identificar falhas como a ausência de medidas acautelatórias para vítimas, a tecnologia destaca tentativas de minimizar assédios como "brincadeiras". Os dados são consolidados em um painel exclusivo do MPF, que busca implementar mudanças estruturais na PRF.

A ferramenta deverá ser usada futuramente para monitorar a implementação do Plano Setorial de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio. O MPF também planeja expandir essa análise para outras forças policiais e para seus próprios procedimentos.