Homem é preso suspeito de fazer concurso de Altos para passar gabarito a candidata

Francisco Carlos Alcântara Santiago teria alterado o próprio nome na inscrição para ficar na mesma sala que outra candidata; polícia apreendeu anotações com possíveis respostas da prova

Um homem de 62 anos, identificado como Francisco Carlos Alcântara Santiago foi preso suspeito de participar do concurso da Prefeitura de Altos, no Piauí, com o objetivo de repassar as respostas da prova para outra candidata. Francisco Carlos  teria alterado o próprio nome no cartão de inscrição para “VFrancisco”, segundo a Polícia Civil do Piauí, em uma tentativa de permanecer na mesma sala de prova que a participante e facilitar a suposta fraude.

A prisão aconteceu em flagrante no sábado (29), primeiro dia de aplicação da prova objetiva, em uma escola pública de Altos, município localizado a cerca de 40 quilômetros de Teresina. A divergência entre o nome apresentado no cartão de inscrição e o documento oficial levado por Francisco chamou a atenção dos responsáveis pela aplicação do concurso.

Durante a audiência de custódia, realizada no domingo (30), a Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva.

Suspeito teria feito a prova para repassar respostas

Conforme consta na decisão judicial, o Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) informou que Francisco Carlos admitiu, quando questionado, que repassaria as respostas da prova para outra candidata que também participava do concurso.

A investigação aponta que a alteração do nome na inscrição teria sido uma estratégia para que os dois permanecessem na mesma sala durante a aplicação da prova. A outra participante também teria acrescentado a letra “V” ao nome no cadastro, enquanto os documentos oficiais apresentados por ambos estavam corretos.

A suspeita, portanto, é de que Francisco não estaria realizando a prova apenas para concorrer a uma das vagas oferecidas pela Prefeitura de Altos, mas para obter as respostas e repassá-las a outra candidata durante o concurso.

Durante a audiência de custódia, o MPPI defendeu a manutenção da prisão preventiva e apresentou os materiais que teriam sido encontrados com o suspeito.

Polícia apreende papéis com possíveis respostas

Entre os materiais apreendidos com Francisco Carlos estavam papéis contendo números de 1 a 50 e possíveis respostas da prova objetiva, além de cartões de inscrição com nomes divergentes.

A polícia também apreendeu uma caneta adaptada com fita adesiva. Os materiais são analisados como parte da investigação sobre a possível tentativa de fraude no certame.

A existência das anotações reforçou a suspeita de que o homem estaria envolvido em uma estratégia para obter ou repassar informações relacionadas ao conteúdo da prova.

A Polícia Civil do Piauí também investiga o caso por possível falsidade ideológica, diante da alteração dos dados de identificação no cartão de inscrição.

Homem já teria antecedentes por fraude em concursos

Segundo a Polícia Civil, Francisco Carlos possui antecedentes relacionados a tentativas de fraude em concursos públicos.

Atualmente, ele é investigado pelos crimes de falsidade ideológica e tentativa de fraude em certame de interesse público. A investigação também busca identificar se outras pessoas participaram da suposta tentativa de fraude.

Até a última atualização desta reportagem, a identidade da candidata que teria sido beneficiada pelo esquema não havia sido divulgada.

A defesa de Francisco Carlos pediu à Justiça a concessão de liberdade provisória com aplicação de medidas cautelares. Os advogados argumentaram que ele possui residência fixa e não tem condenação criminal com trânsito em julgado.