Ex-guarda de Parnaíba vai a júri popular por matar a tiros ex-mulher e vereador

Francisco Fernando de Oliveira Castro será julgado pela morte de Penélope Miranda e Thiciano Ribeiro; Justiça manteve prisão preventiva do acusado

O ex-guarda civil municipal Francisco Fernando de Oliveira Castro será levado a júri popular por assassinar a tiros a ex-companheira Penélope Miranda de Brito Castro e do vereador de Parnaíba Thiciano Ribeiro da Cruz. A decisão da Justiça mantém a prisão preventiva do acusado, que responde por feminicídio e homicídio qualificado.

Além de responder pelo feminicídio de Penélope e pelo homicídio qualificado de Thiciano, Francisco também será julgado pela acusação de lesão corporal culposa contra um taxista atingido por um dos disparos durante a ação.

A decisão judicial ainda não definiu a data do julgamento. A prisão preventiva do acusado foi mantida devido à gravidade do caso e às circunstâncias em que os crimes aconteceram.

O crime ocorreu na manhã do dia 27 de agosto de 2025, no Centro de Teresina. Segundo a investigação, Francisco teria seguido a ex-companheira e o vereador e efetuado disparos de arma de fogo em uma via pública. A arma utilizada, conforme o processo, pertencia à Guarda Civil Municipal.

Entenda o caso

Francisco Fernando e Penélope Miranda tiveram um relacionamento de cerca de dez anos e eram pais de um filho. De acordo com a investigação do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), o acusado não teria aceitado o fim da relação após a separação.

Penélope também integrava a Guarda Civil Municipal e ocupava uma posição de comando na instituição. Conforme a apuração policial, durante o relacionamento, Francisco demonstrava comportamento agressivo e não aceitava a ascensão profissional da ex-companheira.

Imagens de câmeras de segurança ajudaram a polícia a reconstruir os momentos anteriores ao crime. Nas gravações, Penélope aparece caminhando ao lado de Thiciano pouco antes dos disparos.

Durante o interrogatório, Francisco confessou ter atirado contra os dois. Segundo o relato apresentado no processo, ele afirmou que não teria planejado matar Penélope e alegou que sua intenção era atingir apenas o vereador.

"Não tinha intenção de tirar a vida de Penélope Miranda, queria tirar a vida apenas de Thiciano Ribeiro, porque este destruiu o seu casamento", diz trecho da decisão que reproduz o interrogatório do acusado.

Taxista foi atingido durante ataque

Um terceiro homem também acabou ferido durante o episódio. Um taxista que passava pelo local relatou à Justiça que estava dentro do veículo quando ouviu os tiros e percebeu que um projétil atravessou o para-brisa.

O disparo atingiu a região do pescoço e do ombro da vítima, que afirmou não conhecer Francisco Fernando e não ser alvo da ação. Inicialmente, o caso era tratado como tentativa de homicídio, mas a Justiça alterou a acusação para lesão corporal culposa.

Demissão da Guarda Municipal

Após o crime, Francisco Fernando foi desligado da Guarda Civil Municipal de Parnaíba. A Prefeitura publicou a decisão de expulsão em janeiro deste ano, considerando que a conduta atribuída ao servidor era incompatível com o exercício da função pública.

A administração municipal destacou que o uso de uma arma pertencente à corporação durante o crime representou uma infração considerada gravíssima.

Com a decisão de pronúncia, o processo segue para o Tribunal do Júri, onde os jurados irão decidir se Francisco Fernando é culpado pelas mortes de Penélope Miranda e Thiciano Ribeiro.