Um áudio em que um homem afirma que a filha do prefeito de Parnaíba, Francisco Emanuel (Progressistas), de 2 anos, iria “ficar sequelada” está sendo investigado pela Polícia Civil do Piauí como possível ameaça contra a criança.
Segundo o delegado Ayslan Magalhães a mensagem foi identificada em um grupo de WhatsApp com cerca de 800 pessoas
A principal questão analisada pelos investigadores é o significado da afirmação feita no áudio. A Polícia Civil tenta esclarecer em que contexto o homem utilizou a expressão e se a declaração indicava a intenção de provocar algum dano à criança.
O conteúdo foi levado ao conhecimento das autoridades pelos pais da menina, que também apresentaram registros de conversas mantidas por meio de aplicativos de mensagens. O material reúne informações que teriam sido compartilhadas por pessoas interessadas na rotina da criança.
Entre os dados mencionados nas conversas estão informações sobre a escola frequentada pela menina, os horários em que ela chega e deixa o local e outros detalhes relacionados ao cotidiano escolar.
Foto da criança também teria sido compartilhada
Além das mensagens sobre a rotina da menina, a família relatou que uma fotografia da criança foi compartilhada em um grupo de WhatsApp com mais de 500 integrantes.
Os registros foram apresentados à Justiça pelos pais como parte do pedido de proteção. O conjunto de informações passou a ser considerado no processo que resultou na adoção de medidas para preservar a segurança da criança.
A investigação policial busca reunir os elementos necessários para esclarecer a origem do áudio, identificar o contexto da declaração e verificar se existe relação entre a gravação e as mensagens sobre a menina.
Justiça impõe restrições a três pessoas
Na quinta-feira (10), a Justiça do Piauí determinou medidas de proteção envolvendo três pessoas citadas no processo. A decisão impede que elas monitorem ou acompanhem a criança, seja presencialmente ou por meios digitais.
Também foi determinada a proibição de que essas pessoas compareçam à escola ou a outros locais frequentados pela menina. Elas não podem ainda buscar informações sobre a criança por intermédio de terceiros.
As conversas apresentadas pelos pais também foram consideradas na decisão judicial. Conforme o documento, os envolvidos teriam trocado informações relacionadas à matrícula, frequência escolar, horários de entrada e saída e aos locais onde a criança permanecia.
O material analisado pela Justiça também apresentava, segundo a decisão, conteúdo depreciativo.
Escola recebe orientação sobre dados da criança
A Justiça determinou ainda que a escola seja comunicada sobre as medidas. Funcionários, colaboradores e prestadores de serviço devem evitar o repasse de informações sobre a rotina da menina.
A restrição abrange dados sobre as pessoas autorizadas a buscá-la, além de informações referentes a trajetos e deslocamentos.
A decisão possui natureza cível e não representa, por si só, uma conclusão de que as pessoas citadas tenham cometido crime. A Polícia Civil continua a apuração para esclarecer o conteúdo do áudio e os demais fatos apresentados pela família.