Ataques a igrejas em Fortaleza elevam alerta sobre intolerância

Eventos levaram STF a ordenar investigação federal enquanto denúncias crescem em 2026.

Na madrugada de 9 de setembro, uma loja de artigos religiosos católicos em Fortaleza foi atacada com coquetel molotov, acompanhada de um cartaz ameaçador. No mesmo dia, dois outros estabelecimentos católicos e um da umbanda tiveram suas fachadas incendiadas.

O caso está sob investigação da Polícia Civil, e o padre Josileudo Queiroz, da Igreja de São José Operário, destacou o crime como intolerância religiosa. "Nosso país é laico, com diversas expressões de fé", comentou.

Casos semelhantes ocorreram recentemente em Londrina e Salvador, com vandalismo em imagens católicas. Na última quarta-feira (30), o ministro Flávio Dino ordenou que a Polícia Federal investigue a onda de ataques.

Dados do Disque 100 revelam 1.252 denúncias de violações religiosas no primeiro semestre de 2026. As denúncias contra católicos dobraram, enquanto praticantes de religiões afro-brasileiras continuam os mais afetados.

Durante a Semana Nacional de Combate à Intolerância Religiosa no Rio de Janeiro, o dirigente da ACT Alliance, Rudelmar Faria, afirmou que a exclusão religiosa é usada politicamente em várias regiões.

No contexto eleitoral, postagens sobre o título de Nossa Senhora Aparecida mobilizaram disputas legais. O Tribunal Superior Eleitoral decidiu manter a retirada dessas postagens das redes sociais.

Conforme o defensor público do Ceará, Igor Barreto, delitos de intolerância são inafiançáveis e imprescritíveis, com penas de 1 a 5 anos de reclusão, além de multa.

* Com a colaboração de Márcia Vieira, da Rádio Universitária FM de Fortaleza