Lula repudia ataques de Flávio Bolsonaro à CNBB e à Igreja Católica

Presidente afirmou que ataques a uma religião atingem todas as crenças e manifestou solidariedade aos bispos e devotos

O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), divulgou uma nota nesta quarta-feira (30) em que repudiou as declarações do candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL) contra a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Igreja Católica. A manifestação ocorre em meio à repercussão de um boato relacionado a Nossa Senhora Aparecida e às acusações feitas pelo parlamentar contra pessoas ligadas à entidade.

Na nota, Lula afirmou que considera inaceitável que um candidato desrespeite religiosos por interesses eleitorais. O presidente também declarou que ataques contra uma religião acabam atingindo outras crenças e defendeu o respeito à diversidade religiosa no país.

“É inaceitável que um candidato desrespeite religiosos por interesses eleitoreiros. Quando um político ataca uma religião, todas as religiões são atacadas também”, afirmou Lula.

O presidente também manifestou solidariedade aos bispos, aos devotos de Nossa Senhora Aparecida e aos brasileiros de diferentes religiões.

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Entenda a polêmica

A controvérsia ganhou força na semana passada após circular nas redes sociais uma informação falsa de que existiria uma movimentação para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A associação ganhou repercussão depois de uma informação divulgada pela GloboNews sobre uma suposta reação da Igreja Católica a uma mobilização envolvendo grupos evangélicos. O canal posteriormente corrigiu o conteúdo e pediu desculpas pelo erro.

A partir da repercussão, publicações nas redes sociais passaram a associar o nome de Flávio Bolsonaro à suposta iniciativa. Em decisão divulgada na sexta-feira (25), o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a retirada de publicações que relacionavam o candidato à proposta. Posteriormente, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF) e ministro substituto do TSE, derrubou a decisão em um dos casos relacionados ao episódio.

Flávio Bolsonaro afirmou, durante um evento em Goiânia no domingo (27), que a notícia falsa teria sido disseminada com a participação de pessoas ligadas à CNBB. O candidato disse que o PT estaria por trás da circulação do conteúdo e que teria contado com “ajuda de gente de dentro da CNBB”. Essas afirmações foram apresentadas por Flávio como acusações políticas e não foram acompanhadas, nas fontes consultadas, de provas que comprovassem a participação da entidade.

CNBB nega participação

A CNBB negou as acusações. Em nota divulgada no dia 27 de setembro, a entidade afirmou que não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao processo eleitoral.

A organização também declarou que não integra estruturas político-partidárias e afirmou que atribuir à instituição participação na produção ou disseminação de desinformação sem fatos e provas prejudica a entidade e o processo eleitoral.

A declaração de Lula ocorre poucos dias antes do primeiro turno das eleições presidenciais e acrescenta o tema religioso ao confronto entre as campanhas. O episódio envolve, além das declarações dos candidatos, manifestações públicas da CNBB e decisões da Justiça Eleitoral sobre conteúdos relacionados à controvérsia.