Uma tentativa de execução por injeção letal terminou sem a morte da condenada no Tennessee, nos Estados Unidos, e levou o governo estadual a suspender as execuções previstas para o restante de 2026. Christa Gail Pike, de 50 anos, permaneceu viva após duas etapas do protocolo e precisou ser encaminhada para atendimento médico.
A tentativa ocorreu na noite de quarta-feira (30), na Riverbend Maximum Security Institution, em Nashville. Pike seria a primeira mulher executada pelo Tennessee em cerca de dois séculos.
De acordo com relatos de testemunhas e documentos judiciais, ela recebeu duas doses do medicamento utilizado no procedimento, mas continuou apresentando sinais vitais. Advogados apresentaram pedidos emergenciais para interromper a execução e garantir atendimento médico. O Departamento de Correção do Tennessee informou posteriormente que Pike havia sido transferida para uma unidade médica fora do presídio.
Governador suspende execuções
Após o episódio, o governador do Tennessee, Bill Lee, determinou uma revisão abrangente e independente para esclarecer o que aconteceu durante o procedimento. Lee também suspendeu a outra execução que estava programada no estado para este ano. O condenado Gary Wayne Sutton tinha execução prevista para 3 de dezembro.
Com isso, o Tennessee não deverá realizar novas execuções até, pelo menos, o fim de 2026, enquanto o procedimento utilizado no caso Pike é analisado. O Departamento de Correção sustenta que seus funcionários cumpriram todas as etapas previstas no protocolo estadual aprovado pelas autoridades jurídicas.
Protocolo previa segunda aplicação
O protocolo de injeção letal do Tennessee prevê uma segunda etapa de administração do medicamento caso o preso não seja declarado morto após a primeira. O problema evidenciado pelo caso de Christa Pike é que o protocolo não estabelece claramente um procedimento adicional caso a pessoa permaneça viva após a segunda etapa. Testemunhas da imprensa que acompanharam a tentativa de execução relataram que Pike ainda apresentava sinais de vida quando deixaram a área destinada à observação do procedimento.
Segunda execução problemática no Tennessee em 2026
O episódio envolvendo Christa Pike não foi o primeiro problema enfrentado pelo Tennessee neste ano. Em maio, as autoridades interromperam a execução de Tony Carruthers depois de dificuldades para estabelecer os acessos intravenosos necessários para a aplicação das drogas. Agora, o novo episódio amplia os questionamentos sobre a aplicação do protocolo de injeção letal no estado e será objeto da revisão determinada pelo governador.
Quem é Christa Pike
Christa Pike foi condenada à morte pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, ocorrido em 1995, em Knoxville. Pike tinha 18 anos na época do crime. O caso ganhou grande repercussão nos Estados Unidos pela violência empregada contra a vítima.
Antes da execução, a defesa apresentou sucessivos recursos e alegou, entre outros pontos, que aspectos relacionados à infância de Pike e a seu histórico de saúde mental não teriam recebido consideração suficiente durante o processo que resultou na pena de morte.
Na quarta-feira, um tribunal federal chegou a suspender temporariamente a execução. Posteriormente, a Suprema Corte dos Estados Unidos permitiu que o procedimento fosse realizado. A execução começou horas depois, mas não foi concluída conforme previsto.
O governo do Tennessee agora deverá aguardar o resultado da investigação independente para esclarecer as causas da falha e avaliar os próximos procedimentos relacionados à pena de morte no estado.
Os relatos desta quinta-feira confirmam que Pike permaneceu viva após duas etapas do protocolo e foi encaminhada para atendimento médico. Tennessee Lookout O governo estadual suspendeu a execução de Gary Wayne Sutton, marcada para dezembro, e determinou revisão por terceiros. Tennessee Lookout