A punição mais rápida dos agressores é considerada a principal medida para combater a violência contra a mulher pelos participantes de uma enquete realizada pelo Portal Piauí Hoje durante a campanha Agosto Lilás, mês dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra as mulheres.
Dos participantes, 46% apontaram a necessidade de punir os agressores com mais rapidez como a medida mais importante. Em seguida, 28% defenderam o aumento da proteção às vítimas, enquanto 21% consideraram fundamental trabalhar a prevenção nas escolas.
As opções de ampliar os canais de denúncia e oferecer independência financeira às vítimas receberam 3% das respostas cada.
O resultado pode refletir a percepção de que a rapidez na responsabilização dos agressores é fundamental para interromper ciclos de violência. Quando uma denúncia não resulta em uma resposta efetiva e ágil, a vítima pode permanecer exposta a novas ameaças e agressões.
A preferência dos participantes pela punição mais rápida também evidencia uma demanda por maior eficiência da rede de segurança e Justiça no enfrentamento à violência contra a mulher.
O resultado da enquete ocorre em meio ao debate sobre o fortalecimento das políticas de proteção às mulheres no Piauí. Em 2025, o estado registrou 37 casos de feminicídio, segundo dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI).
Já entre janeiro e maio de 2026, o Piauí apresentou redução de aproximadamente 66% na taxa de feminicídios em comparação com o mesmo período do ano anterior. A taxa parcial caiu de 1,44 para 0,48 caso por 100 mil mulheres, de acordo com dados divulgados pela SSP-PI.
Apesar da redução, os números reforçam a necessidade de manter e ampliar as ações de prevenção, denúncia, acolhimento e responsabilização dos agressores.
Proteção e acompanhamento das vítimas
Uma das principais estruturas de atendimento no estado é a Casa da Mulher Brasileira de Teresina, que reúne serviços de acolhimento, atendimento psicossocial, assistência jurídica, delegacia especializada e outros órgãos da rede de proteção.
Em 2025, a unidade realizou 21.058 atendimentos, número 70,8% superior ao registrado em 2024. Apenas em janeiro deste ano, 404 mulheres procuraram o serviço pela primeira vez.
Outro instrumento utilizado no enfrentamento à violência é a Patrulha Maria da Penha. Em 2025, foram realizadas mais de 9 mil visitas e atendidas mais de 2.120 ocorrências. Ao final do ano, a patrulha acompanhava 2.383 mulheres com medidas protetivas de urgência.
Os dados mostram a importância da proteção defendida por 28% dos participantes da enquete. O acompanhamento das mulheres que possuem medidas protetivas busca evitar novas agressões e impedir que casos de violência evoluam para situações ainda mais graves.
Denúncia e prevenção
No Piauí, mulheres em situação de violência podem buscar ajuda por diferentes canais. O Ligue 180 funciona 24 horas por dia, oferecendo orientação e encaminhamento para a rede de proteção. Em 2025, o estado registrou mais de 8 mil acessos ao serviço.
Também funciona no estado o protocolo “Ei, mermã, não se cale!”, por meio da Central de Acolhimento à Mulher, disponível 24 horas pelo WhatsApp 0800 000 1673.
Em situações de emergência ou flagrante, a Polícia Militar pode ser acionada pelo telefone 190.
A prevenção também aparece como uma preocupação dos leitores. Para 21% dos participantes, trabalhar o tema nas escolas é a medida mais importante. No Piauí, ações educativas têm sido realizadas para levar informações sobre os diferentes tipos de violência, física, psicológica, sexual, patrimonial e moral, e divulgar os mecanismos de proteção e denúncia.
A enquete do Portal Piauí Hoje mostra que, embora existam diferentes caminhos para enfrentar a violência contra a mulher, a maior parte dos participantes considera que a resposta aos agressores precisa ser mais rápida. Ao mesmo tempo, a proteção das vítimas e a prevenção surgem como outras prioridades apontadas pelo público, evidenciando a necessidade de atuação integrada entre segurança pública, Justiça, assistência social e educação.