A taxa de analfabetismo entre pessoas com deficiência, de 15 a 29 anos, é 12,2% no Brasil, segundo dados do Censo Demográfico de 2022 do IBGE. Este índice é 12 vezes maior que o observado entre pessoas sem deficiência na mesma faixa etária, que registra 1%.
Conforme a pesquisadora do IBGE, Luanda Botelho, a diferença não se limita à questão geracional, apesar de ser mais evidente entre idosos. A desigualdade também impacta os jovens de forma significativa.
A dificuldade de leitura é mais prevalente entre indivíduos com dificuldades associadas às funções mentais, atingindo 40,4%. Aqueles com múltiplas deficiências apresentam uma taxa de analfabetismo de 34%.
Mesmo entre os que possuem apenas dificuldade de enxergar (3,5%), a taxa ainda supera em três vezes a das pessoas sem deficiência. Outros grupos com altas taxas incluem aqueles com dificuldade de ouvir (10%) e de caminhar (23,3%).
A frequência escolar também é reduzida: apenas 92,6% das crianças de 6 a 14 anos e 79,5% dos jovens de 15 a 17 anos com deficiência estão na escola. Esses índices são inferiores aos de crianças e jovens sem deficiência, que são 98,4% e 85,4%, respectivamente.
Além disso, o acesso à educação superior viu crescimento significativo entre 2014 e 2024, com a presença de alunos com deficiência quase triplicando: de 33.377 para 95.572 matrículas.
O aumento das matrículas foi mais expressivo nos cursos a distância, que multiplicaram por seis, enquanto os cursos presenciais dobraram nesse período.