Juros do Tesouro Direto disparam e IPCA+ chega a 8,19%

Saída de capital estrangeiro, dólar em alta e preocupações fiscais pressionaram o mercado; valorização das taxas pode provocar perdas para quem vende títulos antes do vencimento

As taxas oferecidas pelo Tesouro Direto dispararam nessa sexta-feira (14), em meio à forte aversão ao risco no mercado financeiro. O movimento levou títulos prefixados a pagar quase 15% ao ano e fez o Tesouro IPCA+ 2032 alcançar rentabilidade de inflação mais 8,19% ao ano.

A volatilidade chegou a provocar a suspensão temporária das negociações. Quando o sistema retomou as operações, os títulos públicos apresentavam forte elevação nos juros e queda nos preços.

Entre os prefixados, o Tesouro 2029 passou de 14,23% para 14,48% ao ano. O título com vencimento em 2032 subiu de 14,62% para 14,86%, enquanto o Prefixado 2037 com juros semestrais chegou a 14,87%.

Nos papéis protegidos da inflação, o Tesouro IPCA+ 2032 avançou para IPCA mais 8,19% ao ano. O IPCA+ 2040 chegou a 7,70%, e o título com vencimento em 2050 oferecia inflação mais 7,43%.

Fuga de estrangeiros pressiona mercado

A disparada foi atribuída à saída de investidores estrangeiros do mercado brasileiro, à valorização do dólar e às incertezas envolvendo as contas públicas e o cenário eleitoral.

Com investidores retirando recursos do país, aumenta a procura pela moeda americana e diminui a disponibilidade de capital para financiar a dívida pública. Para atrair compradores, os títulos precisam oferecer taxas mais elevadas.

O dólar chegou perto de R$ 5,24 durante a sessão e encerrou o dia na faixa de R$ 5,22. A manutenção da Selic em 14% ao ano também contribuiu para manter elevados os rendimentos exigidos pelos investidores.

Taxas mais altas derrubam preços

Apesar de representarem uma possibilidade de retorno maior para novos compradores, os juros elevados podem gerar perdas temporárias para quem já possuía títulos prefixados ou vinculados à inflação.

Isso acontece por causa da marcação a mercado. Quando as taxas sobem, o preço dos títulos negociados anteriormente cai. O Tesouro Prefixado 2032, por exemplo, apresentou desvalorização de aproximadamente 1,1% em 24 horas, passando de R$ 482,21 para R$ 477,11.

O prejuízo só é efetivado caso o investidor venda o papel antecipadamente. Quem mantém o título até o vencimento recebe a rentabilidade contratada no momento da compra, conforme as regras do Tesouro Direto.

Confira algumas taxas registradas

As taxas foram consultadas durante as negociações de sexta-feira e podem mudar na reabertura do mercado.

O que o investidor deve observar

Títulos prefixados e IPCA+ podem sofrer oscilações expressivas antes do vencimento. Por isso, o prazo da aplicação deve estar alinhado ao objetivo do investidor. Recursos que podem ser necessários no curto prazo exigem atenção maior à liquidez e ao risco de venda antecipada.

A rentabilidade elevada não elimina riscos, custos ou tributação. Esta matéria tem caráter informativo e não representa recomendação de investimento.