Um levantamento do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) revela que crianças e adolescentes em 333 municípios brasileiros estão altamente vulneráveis a riscos ambientais e climáticos. O estudo, parte do Painel Crianças e Meio Ambiente, identifica padrões de desigualdade na distribuição desses riscos pelo país.
Os dados foram compilados em parceria com a Vital Strategies, através de 14 indicadores de exposição ambiental, incluindo qualidade do ar, infraestrutura urbana, eventos climáticos extremos e condições escolares. A plataforma identifica três níveis de prioridade para cada localidade, destacando cidades que exigem atenção imediata.
O especialista em mudanças climáticas do Unicef, Danilo Moura, ressaltou a dependência das crianças de seus cuidadores em situações de risco. Moura destacou a importância de agir diante de eventos climáticos extremos e da incapacidade das crianças de reconhecer esses perigos sozinhas.
Na análise, os indicadores apontam que os estados do Pará, Acre, Amazonas, Maranhão e Mato Grosso concentram o maior número de municípios em situação crítica. Muitas dessas áreas possuem economias dependentes de atividades primárias, limitando a resposta a riscos socioambientais.
A plataforma permite consultas sobre todos os 5.571 municípios, oferecendo diagnósticos e recomendações para enfrentar os grandes desafios ambientais. Esta ferramenta visa orientar políticas públicas e investimentos locais de forma eficaz.
Pedro de Paula, da Vital Strategies, enfatiza que um ambiente seguro é essencial para o desenvolvimento infantil e que a ferramenta pode auxiliar na redução de desigualdades, proporcionando um futuro mais seguro para as crianças.