Unicef alerta sobre percepção de pais quanto à palmada

Pesquisa revela que muitos veem a palmada como disciplina, não violência, apesar de legislações contra a prática.

O Unicef divulgou uma pesquisa mostrando que muitos pais brasileiros consideram a palmada como método de disciplina e não como violência. O levantamento, revelado nesta quinta-feira (24), destaca que essa prática é vista por alguns como parte da educação infantil.

A especialista de Proteção à Criança do Unicef, Luiza Teixeira, afirma: “As famílias sequer consideram o tapa ou a chinelada como violência. Pelo contrário, elas distinguem a palmada do espancamento, que elas acham, de fato, errado”. Para ela, é fundamental fortalecer a prevenção e capacitar profissionais que lidam diretamente com crianças.

A lei Menino Bernardo, parte do Estatuto da Criança e do Adolescente desde 1990, enfrenta a falta de comunicação efetiva sobre sua aplicação. O estudo sugere que a violência ainda é naturalizada em muitas comunidades brasileiras.

A pesquisa do Unicef ouviu 214 pessoas em áreas vulneráveis, como Rio de Janeiro, Recife e Manaus. Nessas regiões, a palmada é frequentemente usada “para colocar a criança na linha”, revela Teixeira.

A psicóloga infantil Mara Gomes observa que, na primeira infância, as crianças ainda desenvolvem suas capacidades emocionais e cognitivas. Ela destaca a importância de abordar as crianças com empatia e de trabalhar a autorregulação emocional, evitando associar carinho com violência.

Marília Paiva, pedagoga em São Paulo, reitera a necessidade de compreender as birras como formas de comunicação e não como desafios ao controle. O uso de palmadas, segundo ela, não educa, mas sim constrange e gera medo.