Unicef: 15 milhões de crianças acessam conteúdo sexual impróprio

Relatório revela que 9 milhões foram induzidas a conversas ou troca de imagens.

Cerca de 20 milhões de crianças e adolescentes de 21 países enfrentaram exploração ou abuso sexual online em um ano, de acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O relatório intitulado "Pelos Olhos das Crianças" detalha como tecnologias facilitam tais abusos.

O estudo aponta que 9 milhões foram forçadas a participar de conversas de teor sexual ou a compartilhar imagens sem consentimento, enquanto 4 milhões tiveram imagens vazadas. Além disso, aproximadamente 15 milhões receberam conteúdo sexual indesejado.

As redes sociais são citadas como o principal meio de ocorrências, com cerca de 60% dos casos em plataformas como Facebook, Instagram e TikTok. Jogos online também representam risco, com 14% dos crimes ocorrendo nesses ambientes.

O relatório destaca que mais da metade das agressões foram cometidas por conhecidos das vítimas, e 38% dos agressores foram encontrados na internet, sugerindo violações facilitadas por conta de perfis falsos.

Produzido a partir das percepções de 21 mil jovens entre 12 e 17 anos, o documento revela que muitos não denunciam por não saber a quem recorrer. A diretora-executiva do Unicef, Catherine Russell, reforça a necessidade de apoio, afirmando que “muitas crianças sofrem em silêncio”.

No Brasil, 19% dos entrevistados sofreram esse tipo de violência, com menos de 1% denunciando. Redes sociais lideram os canais perigosos, especialmente Instagram e WhatsApp.