Uma em cada três brasileiras enfrentou alguma situação de violência doméstica ou familiar nos últimos 12 meses, segundo a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, do DataSenado e do Observatório da Mulher contra a Violência (OMV) do Senado. Contudo, apenas 4% das entrevistadas reconheceram espontaneamente terem sido vítimas, revelando uma discrepância preocupante em relação ao número de casos relatados.
A diferença entre a violência vivida e reconhecida varia entre os estados. Em Alagoas, 36% das mulheres relataram experiências violentas sem percebê-las como tal. Percentuais semelhantes foram registrados no Amazonas (35%), Acre e Tocantins (ambos com 34%).
Com uma amostra de 21.641 mulheres, a pesquisa destaca variações locais significativas. No Amazonas, por exemplo, 7% das mulheres afirmaram terem sofrido violência, acima da média nacional. No Acre, 73% das vítimas identificaram o marido ou companheiro como agressor, comparado a 48% no Distrito Federal.
Maria Teresa Prado, coordenadora do OMV, ressalta a importância de ampliar a Rede de Proteção e conscientizar as mulheres sobre seus direitos e meios de busca por ajuda. A antropóloga Beatriz Accioly destaca a relevância do reconhecimento das agressões para que as políticas públicas possam efetivamente apoiar as vítimas.
Durante o Agosto Lilás, mês em que se comemoram os 20 anos da Lei Maria da Penha, o Senado reforça a importância de dados confiáveis para aprimorar as leis e fortalecer as medidas de combate à violência de gênero.
Além disso, a pesquisa revela que em todo o país a percepção do aumento da violência doméstica é alta, com 79% das mulheres afirmando que os casos cresceram. O conhecimento sobre a Lei Maria da Penha é limitado: 78% das mulheres dizem conhecer pouco ou nada sobre ela. Os estados com maior desconhecimento incluem Rondônia e Piauí, ambos com 18%.