Mansão de R$ 220 milhões dá lugar a condomínio de luxo no Leblon

Sete das dez casas previstas para o terreno do imóvel apontado como o mais caro do Brasil já foram vendidas; novas residências terão vista para o mar, Lagoa e Cristo Redentor

Uma propriedade anunciada por R$ 220 milhões e conhecida como a “mansão mais cara do Brasil” está desaparecendo da paisagem de uma das áreas mais exclusivas do Rio de Janeiro. Localizado no Jardim Pernambuco, no Leblon, o casarão começou a ser demolido para dar lugar a um condomínio com apenas dez residências de altíssimo padrão. E antes mesmo de a antiga mansão desaparecer completamente, o novo empreendimento já registra forte procura: sete das dez casas previstas estão vendidas. As negociações das unidades do futuro Estância Pernambuco foram fechadas por valores entre R$ 24 milhões e R$ 42 milhões, segundo informações divulgadas pela incorporadora responsável pelo projeto. Restam apenas três unidades disponíveis. A localização é um dos principais atrativos. As futuras casas terão vista para três dos cartões-postais mais conhecidos do Rio: o mar do Leblon, a Lagoa Rodrigo de Freitas e o Cristo Redentor.

Mansão foi anunciada por R$ 220 milhões

A antiga propriedade ocupa um terreno de aproximadamente 11 mil metros quadrados no Jardim Pernambuco, área elevada e de acesso controlado do Leblon. O imóvel pertencia à família Amaral, antiga proprietária da rede de supermercados Disco. Construída na década de 1980, a residência em estilo inglês tornou-se conhecida não apenas pelo valor milionário, mas também pelas dimensões e estrutura. O casarão possuía cerca de 2,5 mil metros quadrados de área construída distribuídos em três pavimentos, seis suítes e nada menos que 18 banheiros. A estrutura ainda reunia piscina semiolímpica, biblioteca, sauna, elevador, estúdio de música e heliponto homologado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

A propriedade também tinha jardins associados ao trabalho do renomado paisagista Roberto Burle Marx e áreas preservadas de vegetação. A dimensão da residência exigia uma grande estrutura de manutenção. Segundo informações divulgadas sobre a propriedade, 43 funcionários trabalhavam diariamente no local, que contava até com uma construção separada destinada à equipe.

Negociação levou seis anos

A incorporadora carioca Mozak adquiriu a propriedade em 2024 depois de uma negociação que, segundo a empresa, levou aproximadamente seis anos. A mansão estava anunciada por R$ 220 milhões, mas o valor efetivamente pago pela incorporadora não foi divulgado. Essa diferença é importante: os R$ 220 milhões representam o valor pelo qual a propriedade era oferecida no mercado, e não necessariamente o preço final da transação. O terreno, mais do que a construção existente, tornou-se um ativo extremamente valorizado devido à localização e à escassez de grandes áreas disponíveis no Jardim Pernambuco.

Mansão começa a ser demolida

Agora, a antiga residência está sendo desmontada e demolida. Antes da entrada das máquinas, foram necessários aproximadamente quatro meses para retirar móveis, obras de arte e diferentes componentes da construção. Mais de 70 janelas foram removidas, assim como pisos, equipamentos e até partes do sistema de refrigeração. A piscina e o heliponto também estão entre as estruturas que serão demolidas. A previsão divulgada é que o processo completo de demolição dure aproximadamente três meses.

Novo condomínio terá apenas dez casas

No lugar do casarão será construído o Estância Pernambuco, empreendimento residencial de altíssimo padrão. O condomínio terá apenas dez casas, todas personalizáveis. Os lotes destinados às novas residências terão grandes dimensões para o padrão da região. Informações divulgadas sobre o empreendimento apontam terrenos a partir de aproximadamente 900 metros quadrados, chegando a áreas bem maiores em determinadas unidades. O tamanho é um dos diferenciais do projeto porque terrenos desse porte são considerados raros no Jardim Pernambuco. O projeto arquitetônico será desenvolvido pela Bernardes Arquitetura, ligada ao arquiteto Thiago Bernardes.

Sete casas já foram vendidas

Mesmo antes da conclusão da demolição da antiga mansão, sete das dez unidades já encontraram compradores. Os negócios fechados ficaram entre R$ 24 milhões e R$ 42 milhões por residência. Segundo informações fornecidas pela incorporadora e divulgadas pela imprensa, os compradores são brasileiros e a maioria é formada por cariocas. Entre os perfis citados estão empresários do mercado financeiro, advogados e pessoas ligadas ao agronegócio. As identidades dos compradores não foram divulgadas. O desempenho comercial chama atenção justamente porque as residências ainda serão construídas e estão inseridas em uma faixa extremamente restrita do mercado imobiliário.

Projeto pode movimentar R$ 360 milhões

O Estância Pernambuco tem Valor Geral de Vendas (VGV) estimado em aproximadamente R$ 360 milhões. O VGV corresponde à soma estimada do valor de comercialização das unidades do empreendimento e não representa necessariamente lucro da incorporadora. As novas residências têm previsão de conclusão no segundo semestre de 2028.

Vista para três cartões-postais

A localização é um dos principais argumentos comerciais do empreendimento. As casas terão vista para o Cristo Redentor, a Lagoa Rodrigo de Freitas e o mar do Leblon. Além das residências, o condomínio deverá contar com estrutura de lazer e áreas verdes. O projeto prevê quadra de beach tennis, campo de futebol, academia, parquinho infantil e espaços para caminhada e contemplação. Também estão previstos milhares de metros quadrados de mata, com bosque, trilhas e mirante. A segurança será outro diferencial. O projeto divulgado prevê sucessivas barreiras de acesso até a chegada às residências, além de portaria e serviços compartilhados.

Até partes da antiga mansão estão à venda

A demolição abriu outro mercado curioso: componentes e objetos da antiga propriedade estão sendo colocados à venda em leilões. Entre os itens retirados estão portas, janelas, portões, grades, corrimãos, pisos de madeira, luminárias, louças sanitárias e equipamentos. Um dos leilões reúne mais de 1,6 mil itens. O portão de ferro da entrada principal, por exemplo, foi anunciado com lance mínimo de R$ 30 mil, enquanto o corrimão da escadaria principal apareceu com valor inicial de R$ 2,2 mil. Até objetos muito mais baratos foram disponibilizados, transformando o desmonte da propriedade em uma espécie de venda fragmentada de elementos do antigo casarão.

Obras de arte também entram em leilão

Além de partes da construção, móveis, objetos decorativos e obras de arte que estavam na residência também aparecem em leilões relacionados ao acervo. Entre as peças divulgadas pela imprensa estão trabalhos atribuídos a artistas brasileiros de destaque. Isso adiciona mais um capítulo à transformação da propriedade: enquanto o terreno se prepara para receber dez novas mansões, elementos que fizeram parte da antiga residência passam para novos proprietários.

Um dos endereços mais exclusivos do Rio

O Jardim Pernambuco fica em uma área elevada do Leblon, próximo à praia, à Lagoa Rodrigo de Freitas e a alguns dos endereços mais valorizados da zona Sul carioca. A oferta limitada de terrenos, o controle de acesso e a localização fizeram da região um dos pontos mais exclusivos do mercado residencial brasileiro. É justamente essa escassez que ajuda a explicar a estratégia de substituir uma única residência gigantesca por um empreendimento com dez casas de luxo. A antiga “mansão mais cara do Brasil” começa, assim, a desaparecer. No lugar dela surge um projeto estimado em centenas de milhões de reais — e que, mesmo antes de ficar pronto, já vendeu sete de suas dez residências.