Economista é única mulher piauiense no Cofecon e participa de evento em Brasília

Evento em Brasília marca os 75 anos da regulamentação da profissão e reúne economistas para discutir tarifas, infraestrutura financeira e os desafios do Brasil

A economista piauiense Teresinha Ferreira, única mulher do Piauí a ocupar o cargo de conselheira no Conselho Federal de Economia (Cofecon), participa nesta quinta-feira (13), em Brasília, da solenidade em comemoração ao Dia do Economista e aos 75 anos da regulamentação da profissão no Brasil. A economista também integra a organização do evento como membro do Cofecon.

Promovida pelo Conselho Federal de Economia (Cofecon) e pelo Conselho Regional de Economia do Distrito Federal (Corecon-DF), a solenidade acontece a partir das 16h30, na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

A programação terá como destaque a palestra “Tarifas, Geopolítica e Infraestrutura Financeira: os novos desafios para a economia brasileira”, com o economista e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Gustavo Pessoa. A abertura será conduzida por Tânia Cristina Teixeira, presidenta do Cofecon, e Luciana Acioly da Silva, presidenta do Corecon-DF. A mediação será do economista e conselheiro federal Antonio Corrêa de Lacerda.

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, também participa da solenidade.

 Ministro Wellington Dias (Foto: Ministro Wellington Dias) 

Por que 13 de agosto é o Dia do Economista?

A escolha da data está diretamente relacionada à regulamentação da profissão no Brasil. Em 13 de agosto de 1951, o então presidente Getúlio Vargas sancionou a Lei nº 1.411, que regulamentou a profissão de economista no país.

Segundo o Conselho Federal de Economia, o dia 13 de agosto passou a ser celebrado como o Dia do Economista justamente por marcar a promulgação da legislação que deu reconhecimento jurídico à profissão.

A própria legislação estabelece que a designação profissional de economista é atribuída aos bacharéis em Ciências Econômicas diplomados no Brasil, além de estabelecer regras para o exercício de atividades técnicas relacionadas à economia e às finanças. A Lei nº 1.411 também criou a estrutura dos conselhos responsáveis pela fiscalização profissional.

A regulamentação, portanto, não foi apenas uma formalidade. Ela representou o reconhecimento legal de uma categoria que vinha se organizando havia décadas em torno da formação acadêmica e da consolidação do campo profissional.

Como surgiu a profissão de economista no Brasil?

A história da Economia como área de ensino no país é anterior à regulamentação da profissão. Segundo levantamento histórico publicado pelo Cofecon, o ensino de Economia começou a ganhar espaço ainda no Brasil Imperial, especialmente nos cursos de Direito, que passaram a oferecer a disciplina de Economia Política.

Um dos principais marcos ocorreu em 1931, quando o Decreto nº 20.158 estabeleceu a estrutura dos cursos que permitiam a formação de bacharéis em Ciências Econômicas. A medida foi importante para transformar o ensino de Economia em uma formação superior específica.

O processo de consolidação acadêmica avançou nos anos seguintes. Segundo o Cofecon, o primeiro curso de Economia integrado a uma estrutura universitária surgiu em 1946, com a criação do curso de Economia na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Brasil, instituição que posteriormente daria origem ao atual Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A expansão da formação de economistas aumentou a mobilização da categoria pelo reconhecimento profissional. O crescimento do número de bacharéis e a busca por equiparação do curso de Economia a outras formações universitárias contribuíram para o movimento que culminou na regulamentação de 1951.

O que faz um economista?

A atuação do economista vai muito além do mercado financeiro. O Decreto nº 31.794, de 1952, que regulamentou a Lei nº 1.411/1951, estabelece que a profissão pode ser exercida tanto no setor público quanto no privado, envolvendo questões relacionadas à economia nacional e regional e a políticas monetária, fiscal, comercial e social, além de atividades de organização e racionalização do trabalho.

Na prática, esses profissionais podem atuar em áreas como planejamento econômico, análise de conjuntura, políticas públicas, finanças, consultoria, pesquisa, elaboração de estudos e avaliação de cenários econômicos. O próprio Cofecon destaca que a profissão tem papel relacionado ao desenvolvimento socioeconômico do país e à análise das questões econômicas que afetam a sociedade.

75 anos de regulamentação

A celebração desta quinta-feira também marca os 75 anos da Lei nº 1.411/1951, considerada um dos principais marcos da história da categoria no Brasil.

Setenta e cinco anos depois da regulamentação, o debate proposto pelo Cofecon e pelo Corecon-DF leva os economistas a discutir questões que ultrapassam o cotidiano das empresas e das finanças. Tarifas, geopolítica e infraestrutura financeira estão diretamente relacionadas às transformações que afetam o comércio, os investimentos e as estratégias econômicas dos países.

A solenidade representa, assim, não apenas uma homenagem à trajetória da profissão, mas também um espaço para discutir o papel dos economistas diante dos desafios atuais e das mudanças que podem influenciar o futuro da economia brasileira.