O número de assassinatos no campo brasileiro caiu para seis nos primeiros seis meses de 2026, uma diminuição significativa em relação aos 27 registrados no mesmo período de 2025. Entretanto, os conflitos agrários aumentaram de 798 para 841. As informações foram divulgadas pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) nesta quarta-feira (2).
Entre os estados, o Maranhão liderou em número de conflitos no campo, com 156 casos até junho. Outros estados com altos índices foram Pará (90), Bahia (85), Rondônia (63) e Amazonas (63). Esses dados serão parte do relatório anual “Conflitos no Campo Brasil” da CPT, previsto para 2027.
Conforme a coordenadora nacional da CPT, Cecília Gomes, mesmo com a redução nos assassinatos, os massacres ainda são uma realidade preocupante. Gomes destacou o aumento da mercantilização da terra através do interesse de fundos de pensão e a exploração de terras raras, afetando comunidades tradicionais e camponesas.
Os conflitos por terra totalizaram 711 casos, sendo a violência por agrotóxicos a mais frequente, subindo de 98 para 169. O CPT aponta a expansão do agronegócio como um fator agravante, especialmente no Maranhão. Os desmatamentos ilegais e invasões também cresceram significativamente.
No tocante aos conflitos pela água, houve um aumento considerável, com 100 ocorrências em 20 estados, principalmente no Pará, Minas Gerais e Amazonas. A luta dos povos indígenas no Pará contra a privatização dos rios gerou a revogação do Decreto nº 12.600/2025.
As manifestações foram uma resposta importante das comunidades, totalizando 284 nos primeiros seis meses de 2026, reivindicando demarcação de terras e melhores condições de trabalho.