BMW iX3 transforma tecnologia em uma nova experiência ao dirigir

SUV elétrico de 469 cavalos inaugura recursos que chegarão a outros modelos da marca alemã

Há modelos que representam apenas uma troca de geração e outros que assumem uma função maior dentro da estratégia de uma fabricante. O BMW iX3 50 xDrive M Sport pertence ao segundo grupo. Primeiro veículo da Neue Klasse a chegar à produção em série, ele inaugura uma arquitetura que orientará os próximos passos da BMW em design, digitalização, conectividade e eletrificação. Com preço de R$ 582.950, o SUV elétrico utiliza dois motores, tração integral, entrega 469 cavalos e tem autonomia de até 570 quilômetros pelo ciclo PBEV do Inmetro.


O iX3 também passa a disputar um segmento de SUVs elétricos premium que ganha novos representantes. Entre os concorrentes considerados estão Volvo EX60, Audi Q6 e-tron e o representante elétrico da família Mercedes-Benz GLC. A proposta da BMW, porém, não está restrita a potência ou autonomia. A Neue Klasse estabelece uma nova arquitetura elétrica e eletrônica, modifica a forma de apresentar informações ao motorista e inaugura soluções que serão incorporadas gradualmente a outros produtos da marca nos próximos anos.

Produzido em Debrecen, na Hungria, o iX3 50 xDrive utiliza a sexta geração da tecnologia BMW eDrive. Seus dois motores entregam 645 Nm de torque e permitem acelerar de 0 a 100 km/h em 4,9 segundos, com velocidade máxima de 210 km/h. A bateria tem capacidade útil de 108,7 kWh. O modelo mede 4,78 metros de comprimento, 1,89 metro de largura e 1,63 metro de altura, oferece porta-malas de 520 litros, ampliável para 1.750 litros, e mais 58 litros de capacidade sob o capô. No Brasil, chega sempre com o pacote M Sport.


Foi no escritório da BMW do Brasil, na Zona Sul de São Paulo, que deixei as especificações técnicas para conhecer o iX3 na prática. O roteiro de aproximadamente 300 quilômetros combinou trânsito urbano, rodovias e exercícios dinâmicos no Raceville, instalado na zona rural de Brotas. Dividi o percurso com Joka Finardi, do Super TopMotor, parceria que contribuiu para a avaliação pela possibilidade de trocar percepções sobre o veículo ao longo da viagem e experimentar o modelo também na posição de passageiro.

Ao deixar São Paulo e seguir para o interior, a potência passou a ser percebida principalmente como uma reserva para retomadas e ultrapassagens. A entrega de torque ocorre de forma imediata, enquanto a tração integral distribui a força entre os dois eixos conforme a necessidade. Mesmo com 469 cavalos disponíveis, o comportamento em rodovia permite controlar as respostas do acelerador sem exigir mudanças na forma de dirigir. A autonomia homologada de 570 quilômetros também colocou todo o roteiro planejado dentro da capacidade declarada para uma carga.

No interior, uma das mudanças mais visíveis da Neue Klasse está na maneira como o veículo apresenta informações. O BMW Panoramic Vision projeta dados ao longo da base do para-brisa, de uma coluna à outra, enquanto o BMW 3D Head-Up Display complementa informações relacionadas à navegação e aos sistemas de condução. O BMW Operating System X centraliza conectividade, personalização e atualizações remotas, mas a fabricante preservou comandos físicos para funções como setas, limpadores, volume, seletor de marchas, pisca-alerta e desembaçadores.


O iX3 também oferece 520 litros no porta-malas e outros 58 litros sob o capô, solução útil principalmente para guardar cabos de carregamento. Entre os equipamentos estão teto panorâmico, sistema de som Harman Kardon, carregamento de smartphone por indução, Comfort Access, bancos dianteiros com ajustes elétricos, Driving Assistant Plus, Parking Assistant Professional e rodas M de 21 polegadas. A arquitetura dedicada aos veículos elétricos também permitiu trabalhar o espaço para cinco ocupantes sem a necessidade de acomodar componentes de uma motorização a combustão.

A chegada ao Raceville mudou novamente a proposta da avaliação. Evidentemente, dificilmente um proprietário utilizará seu iX3 regularmente em um circuito. Ainda assim, o ambiente controlado permitiu experimentar situações que não poderiam ser reproduzidas em vias abertas. Acelerações, frenagens e mudanças rápidas de direção mostraram como potência, tração integral, freios e sistemas eletrônicos trabalham quando o veículo é submetido a solicitações maiores. Mais do que buscar velocidade, a experiência ajudou a conhecer os limites do projeto.

No balanço da avaliação, três pontos ficaram em evidência para mim. O primeiro é o conjunto elétrico de 469 cavalos e 645 Nm, que oferece respostas imediatas sem dificultar a condução cotidiana. O segundo é a autonomia de até 570 quilômetros, número que amplia as possibilidades de utilização rodoviária de um elétrico. O terceiro é o BMW Panoramic iDrive, que altera de maneira significativa a interação com informações e comandos. Como ponto que pode ser melhorado, cito o preço de R$ 582.950, que restringe o acesso à tecnologia apresentada pelo primeiro modelo da Neue Klasse.

O Raceville contribuiu para que a experiência fosse além de uma viagem convencional. Localizado na zona rural de Brotas, o espaço oferece condições controladas para exercícios de condução e permitiu explorar características que dificilmente poderiam ser analisadas com a mesma intensidade em uma rodovia. Para uma apresentação de um veículo que inaugura uma arquitetura e diferentes tecnologias, a pista funcionou como complemento ao percurso urbano e rodoviário realizado desde São Paulo.

Depois de aproximadamente 300 quilômetros entre cidade, estrada e circuito, deixei o Raceville compreendendo melhor o papel que o iX3 exerce dentro da BMW. O modelo não representa apenas a substituição de um conjunto de propulsão por motores elétricos. Ele estreia uma arquitetura, reorganiza a interface entre veículo e motorista e apresenta tecnologias que deverão alcançar outros BMW. A viagem até Brotas terminou no circuito, mas, para a Neue Klasse, o iX3 é justamente o começo de uma nova etapa.