Jeep Compass mostra por que lidera entre os SUVs médios

Prestes a ganhar nova geração, modelo mantém quatro versões e duas propostas mecânicas

O Jeep Compass chega aos últimos meses de 2026 diante de uma situação que coloca presente e futuro na mesma análise. O SUV lidera os emplacamentos entre os modelos médios enquanto sua próxima geração já foi apresentada na Europa. No Brasil, a gama atual reúne Sport T270, Longitude T270, Série S T270 e Blackhawk Flex. É justamente a Blackhawk que avaliei, equipada com motor Hurricane 2.0 Turbo Flex de 272 cv e 400 Nm, transmissão automática de nove marchas e tração 4x4 Jeep Active Drive Low.


Os números acumulados até agosto ajudam a dimensionar a posição do Compass em um segmento no qual a eletrificação ganhou participação. O Jeep registra 36.437 unidades, seguido pelo GWM Haval H6, com 31.966. O BYD Song Pro aparece em terceiro, com 26.250, enquanto o Toyota Corolla Cross soma 25.566. Os quatro primeiros colocados mostram uma disputa que reúne diferentes soluções mecânicas, com híbridos e eletrificados enfrentando um Compass que permanece na liderança utilizando motores flex.

A Blackhawk ocupa uma posição específica dentro dessa estratégia. Enquanto Sport, Longitude e Série S utilizam o T270 de 176 cv, a versão avaliada recebe o Hurricane de 272 cv e 400 Nm, câmbio automático de nove marchas, tração integral, seletor de terrenos e controle de descida. O conjunto é acompanhado por rodas de 19 polegadas, painel digital de 10,25 polegadas, central multimídia de 10,1 polegadas, sete airbags e sistemas de assistência à condução. É uma configuração que altera não apenas os números da ficha técnica, mas também a maneira como o Compass responde ao motorista.


Minha avaliação começou nas atividades cotidianas em São Paulo. Antes de buscar estradas e percursos mais longos, utilizei o Blackhawk em congestionamentos, avenidas, estacionamentos e deslocamentos curtos. Foi nesse ambiente que comecei a perceber como um conjunto desenvolvido para entregar 272 cv convive com uma situação na qual potência máxima raramente é necessária. A resposta do acelerador pode ser administrada sem tornar o trânsito uma sequência de intervenções, enquanto o câmbio de nove marchas trabalha para adequar a relação às mudanças constantes de velocidade.

Na cidade, os 400 Nm também aparecem mais pela disponibilidade do que pela necessidade de utilizá-los integralmente. A direção elétrica participa das manobras, enquanto sensores dianteiros e traseiros, câmera de estacionamento e Park Assist auxiliam nos espaços reduzidos. Piloto automático adaptativo, monitoramento de pontos cegos, frenagem de emergência e assistente ativo de direção acrescentam uma camada eletrônica à condução cotidiana.

A cabine acompanha essa proposta. Central multimídia de 10,1 polegadas, painel digital de 10,25 polegadas, Apple CarPlay e Android Auto sem fio, carregador por indução, ar-condicionado automático de duas zonas e bancos com regulagem elétrica fazem parte da Blackhawk. Há ainda teto solar panorâmico, sistema de som Beats de 506 W, serviços conectados, Alexa integrada e abertura eletrônica do porta-malas com sensor de presença. Durante os compromissos cotidianos, esses recursos acabaram sendo utilizados com maior frequência do que os componentes destinados à condução fora do asfalto.


Quando deixei São Paulo em direção a Holambra, o Hurricane passou a assumir maior protagonismo. Os 272 cv e 400 Nm alteram a maneira como o Compass realiza retomadas e ultrapassagens, principalmente quando comparados à proposta das versões T270. A transmissão de nove marchas reduz relações quando o acelerador exige resposta e volta a trabalhar em marchas mais altas quando a velocidade se estabiliza. As aletas atrás do volante também permitem ao motorista assumir o controle das trocas quando necessário.

Foi nesse percurso pelo interior que consegui compreender melhor a razão de existir da Blackhawk dentro da linha. O Compass não deixa de ser um SUV utilizado para transportar pessoas, bagagens e cumprir tarefas cotidianas, mas passa a oferecer uma reserva de desempenho que pode ser acessada quando a estrada permite. Segundo a Jeep, o conjunto leva o modelo de zero a 100 km/h em 6,3 segundos e permite atingir 228 km/h. Na minha avaliação, esses números serviram mais como referência para compreender a capacidade mecânica do que como objetivo durante a condução.

A tração 4x4 Jeep Active Drive Low acrescenta outra diferença em relação às configurações T270. O sistema trabalha associado ao seletor de terrenos e ao Hill Descent Control, ampliando as possibilidades quando o piso apresenta condições diferentes. A Blackhawk também oferece Performance Pages, que reúne informações relacionadas ao funcionamento do veículo. Mesmo com a maior parte do percurso realizada sobre asfalto, esses componentes fazem parte da proposta que separa a versão do restante da gama.

A viagem para Caraguatatuba acrescentou serra, curvas, descidas e mudanças frequentes de velocidade. Foi um ambiente no qual motor, transmissão, freios e sistemas eletrônicos passaram a trabalhar de maneira mais perceptível. Nas retomadas depois das curvas e nas variações de relevo, os 400 Nm reduziram a necessidade de antecipar acelerações. O câmbio de nove marchas acompanhou essas mudanças de ritmo e a tração integral permaneceu como parte do gerenciamento do conjunto.


Também foi nessa viagem que o pacote de segurança ganhou maior participação na experiência. A Blackhawk oferece piloto automático adaptativo, alerta de colisão frontal com frenagem de emergência e detecção de automóveis, pedestres e ciclistas, monitoramento de pontos cegos, alerta de tráfego cruzado traseiro, assistente ativo de direção, reconhecimento de placas e detector de fadiga. São recursos que não substituem a atuação do motorista, mas interferem em situações que fazem parte de uma viagem rodoviária.

Depois de São Paulo, Holambra e Caraguatatuba, ficou evidente para mim que a Blackhawk ocupa um espaço diferente das demais configurações do Compass. Não se trata apenas de acrescentar potência ao SUV. Motor Hurricane, transmissão de nove marchas e tração integral modificam a forma como o veículo reage às solicitações do acelerador e ampliam as possibilidades de utilização, enquanto cabine e equipamentos mantêm características necessárias para a convivência diária.

Essa avaliação também aconteceu em um momento de transição. GWM Haval H6, BYD Song Pro e Toyota Corolla Cross mostram como a eletrificação passou a participar diretamente da disputa entre SUVs médios. Ao mesmo tempo, a Jeep já apresentou na Europa uma nova geração do Compass, totalmente renovada. A atual carroceria, portanto, aproxima-se do encerramento de seu ciclo justamente enquanto permanece na primeira posição dos emplacamentos brasileiros do segmento.

Ao concluir minha avaliação do Jeep Compass Blackhawk Flex 2026, três pontos ficaram em evidência. O primeiro é o conjunto formado pelo Hurricane 2.0 Turbo Flex de 272 cv e 400 Nm e pela transmissão automática de nove marchas, principalmente pelas respostas em retomadas e ultrapassagens. O segundo é a tração 4x4 Jeep Active Drive Low associada aos recursos de gerenciamento de terreno. O terceiro é o pacote de segurança, assistência e conectividade disponível na versão.

Como ponto que pode ser melhorado, desta vez não indicaria um componente específico: a própria Jeep já apresentou na Europa uma geração totalmente renovada do Compass, que em breve deve chegar ao Brasil. Isso significa que esta pode ter sido minha última avaliação prolongada com a atual carroceria. Depois de utilizá-la entre São Paulo, Holambra e Caraguatatuba, encerro este teste diante de um Compass que ainda lidera seu segmento, mas que já começa a abrir caminho para seu sucessor.

Notas Rápidas, por Sérgio Dias

Iveco Group e SENAI premiam projetos criados por estudantes

O Iveco Group e o SENAI premiaram três projetos desenvolvidos por estudantes para responder a desafios relacionados à sustentabilidade, economia circular e eficiência na indústria. As propostas foram selecionadas no Grand Prix SENAI de Inovação 2026, que mobilizou 1.260 alunos de diferentes regiões do Brasil e agora terá uma etapa de desenvolvimento.

“As premiações dão continuidade à parceria entre o Iveco Group e o SENAI e reforçam o compromisso da empresa com a inovação e a formação de novos talentos”, afirma Lucilene Carvalho, gerente de Sustentabilidade do Iveco Group. Segundo a executiva, os estudantes trabalharam com desafios reais da indústria, relacionando conhecimento técnico, criatividade e sustentabilidade.

Linha elétrica Volvo Trucks recebe prêmio mundial de caminhões

A Volvo Trucks conquistou o prêmio Caminhão Internacional do Ano 2027 com sua linha de caminhões elétricos durante cerimônia realizada no IAA Transportation, em Hanover, na Alemanha. O reconhecimento, entregue após a avaliação de 24 jornalistas europeus especializados em veículos comerciais, considerou a capacidade dos modelos de atender diferentes operações de transporte com propulsão elétrica.

“A nova linha de caminhões elétricos da Volvo Trucks representa uma grande evolução”, afirma Florian Engel, presidente do International Truck of the Year. Segundo ele, o aumento da autonomia mostra que o transporte elétrico de cargas deixou de ficar restrito a aplicações específicas e passou a atender um conjunto maior de atividades.

Jaecoo 5 usa música para ampliar apresentação ao público brasileiro

A Omoda & Jaecoo levou o Jaecoo 5 ao Coala Festival em São Paulo, para dar continuidade à apresentação do SUV ao público brasileiro. A ação terá como principal ponto de interação o sistema de karaokê do veículo, após sua passagem pelo Festival Interlagos.

“A nossa presença no Coala Festival aproxima a marca da cultura local, algo que é prioridade para nós”, afirma Alessandra Souza, CMO da Omoda & Jaecoo Brasil. Segundo a executiva, a participação também busca estabelecer contato com o consumidor em diferentes situações, incluindo momentos relacionados ao lazer.

Produção de motos chega a 1,45 milhão e tem melhor marca desde 2008

A indústria brasileira de motocicletas produziu 1.458.276 unidades entre janeiro e agosto de 2026 no Polo Industrial de Manaus, crescimento de 9,9% sobre o mesmo período de 2025. Segundo a Abraciclo, o resultado representa o maior volume para os oito primeiros meses desde 2008, quando a produção alcançou 1.606.230 motocicletas.

“As unidades fabris seguem em plena operação para acompanhar o crescimento do mercado. Os resultados refletem a capacidade das fabricantes de responder a essa demanda, mantendo as linhas de montagem em ritmo elevado e garantindo o abastecimento do mercado”, afirma Marcos Bento, presidente da Abraciclo, ao analisar o desempenho registrado pelas fabricantes.

Linha 2027 amplia diferenças entre versões do Peugeot 208

A Peugeot reorganizou a linha 2027 do 208 no Brasil com três versões, rodas específicas para cada configuração, inclusão da cor Branco Okénite e adoção da nomenclatura GT MHEV para identificar a opção híbrida leve. O hatch passa a ser oferecido nas configurações Style 1.0 MT, Allure Turbo 200 AT e GT MHEV Turbo 200 AT, com preços entre R$ 93.990 e R$ 132.990.

“Desenvolvemos a nova gama do Peugeot 208 com foco total no consumidor brasileiro, oferecendo um pacote de equipamentos robusto e competitivo para o mercado”, explica Fabiana Figueiredo, head da marca Peugeot na América do Sul. A organização permite ao consumidor escolher entre câmbio manual, motorização turbo com transmissão automática e sistema híbrido leve.

Podcast conecta caminhões e implementos ao futuro do transporte

A Librelato lançou o sétimo episódio do podcast De Carga em Carga com uma conversa entre João Librelato e Roberto Leoncini sobre o mercado de caminhões e o futuro do transporte brasileiro. O programa já está disponível no Instagram, YouTube e Spotify e aborda tropicalização, tecnologia, gestão e transição energética.

“Roberto Leoncini acompanhou de perto a evolução da indústria de caminhões e as particularidades de diferentes mercados ao longo de 38 anos de atuação no setor”, afirma João Librelato, Diretor Comercial e Marketing da Librelato e apresentador do podcast. Para ele, a experiência do convidado contribui para discutir a integração entre fabricantes de caminhões e implementos.

Geely inicia produção do EX5 EM-i no Brasil

A Renault Geely do Brasil iniciou a produção do Geely EX5 EM-i no Complexo Industrial Ayrton Senna. O SUV híbrido plug-in é o primeiro veículo da Geely fabricado nas Américas e será lançado comercialmente no mercado brasileiro até o fim de 2026. A operação integra o processo de localização de tecnologias de baixa e zero emissão no país.

“O início de fabricação do primeiro veículo Geely no Brasil é um momento histórico para a marca Geely e, também, para a Renault Geely do Brasil”, afirma Ariel Montenegro, presidente e CEO da Renault Geely do Brasil. O executivo relaciona o começo da produção ao plano de crescimento da fabricante no mercado nacional.

Pier projeta crescer 50% no seguro automóvel em 2026

A Pier projeta ampliar em cerca de 50% sua carteira de seguro automóvel e alcançar 100 mil membros até o fim de 2026 no Brasil. A meta integra o plano de crescimento da seguradora, que superou R$ 250 milhões em faturamento em 2025 e atingiu a marca de 200 mil clientes ao investir em inteligência artificial e atendimento digital.

“O seguro automóvel sempre foi marcado por processos lentos, pouca transparência e uma experiência que gerava atritos para o cliente”, afirma Camila Kataguiri, CEO da Pier. Segundo a executiva, a empresa estruturou sua operação a partir da tecnologia, aplicada da definição dos preços ao atendimento e à regulação dos sinistros.

Ford confirma três versões da Transit City para o Brasil

A Ford confirmou três versões da Transit City elétrica para o mercado brasileiro, com lançamento previsto ainda em 2026. A linha será composta pelos furgões com teto regular e teto alto, além da configuração chassi-cabine. Os veículos serão destinados a entregas de última milha e serviços realizados em áreas urbanas.

“A Ford Pro tem hoje o portfólio de veículos comerciais mais completo do mercado, com diferentes versões da Transit e da Ranger”, afirma Guillermo Lastra, diretor de Veículos Comerciais da Ford América Latina. Segundo o executivo, a Transit City levará a empresa a um segmento no qual ainda não atua no país.

Sumitomo Rubber é tricampeã do Selo Ouro GHG Protocol

A Sumitomo Rubber do Brasil conquistou pelo terceiro ano consecutivo o Selo Ouro do Programa Brasileiro GHG Protocol e se tornou a única indústria de pneus tricampeã na história da categoria, segundo informações da empresa. Fabricante dos pneus Dunlop, Falken e Sumitomo, a companhia recebeu o reconhecimento no ciclo 2026 pelo inventário de emissões que abrange a fábrica de Fazenda Rio Grande, no Paraná, e o escritório administrativo de São Paulo.

“A elaboração de um inventário robusto e auditado é uma etapa essencial para uma gestão responsável dos gases do efeito estufa. Esse reconhecimento demonstra a maturidade dos nossos processos e reforça nosso compromisso com a transparência das informações relacionadas a gestão ambiental”, afirma Kassielle de Souza Barichello, gerente de Saúde, Segurança e Meio Ambiente da Sumitomo Rubber do Brasil.