A Audi do Brasil criou uma versão brasileira digna de “Velozes e Furiosos” para anunciar a chegada do showcar da Fórmula 1, recriado com dimensões, proporções e materiais fiéis ao monoposto original. Se a franquia de filmes iniciada em 2001 ficou associada aos carros conduzidos por personagens interpretados por Vin Diesel e pelo falecido Paul Walker, a marca alemã levou para ruas e rodovias paulistas seu próprio elenco: RS 3, RS Q8, RS e-tron GT Performance, TT RS e R8 escoltaram o Volkswagen Meteor Highline 29.530 responsável pelo transporte do showcar.
A experiência começou no Audi Experience Center, na Zona Sul de São Paulo, de onde parti com o grupo em direção a um centro de distribuição em Vinhedo. Ali, o protagonista daquele dia ainda permanecia escondido dentro de uma caixa de madeira. O objetivo não era simplesmente transportar o showcar: a Audi transformou sua chegada em uma ação relacionada à entrada da fabricante na Fórmula 1 e ao calendário de iniciativas que antecede o Grande Prêmio de São Paulo, em novembro.
O showcar havia iniciado sua viagem no Porto de Santos antes de passar por Vinhedo. A partir dali, acompanhei o retorno até São Paulo em uma formação difícil de passar despercebida. O caminhão ocupava o centro da operação enquanto os esportivos da Audi formavam sua escolta. Quem cruzava com o comboio nas rodovias e depois nas ruas da capital encontrava uma cena que normalmente associamos ao cinema ou às pistas. O destino era novamente o Audi Experience Center, onde finalmente pudemos acompanhar a abertura da caixa e conhecer o modelo.
Quando retornamos ao Audi Experience Center, a caixa finalmente foi aberta e o showcar pôde ser visto. O modelo será utilizado em outras ações da Audi no Brasil, incluindo o Audi driving experience no Autódromo Velocittà e exposições programadas em diferentes cidades. Mais do que revelar um monoposto recriado, a ação mostrou como a fabricante pretende construir a aproximação entre sua trajetória no mercado brasileiro e sua entrada na principal categoria do automobilismo mundial.
Audi RS 3
Para mim, havia ainda outra experiência dentro daquela ação: conduzi o Audi RS 3 durante toda a escolta entre Vinhedo e São Paulo. Seu motor 2.5 TFSI de cinco cilindros desenvolve 400 cv entre 5.600 e 7.000 rpm e entrega 500 Nm entre 2.250 e 5.600 rpm. A transmissão S tronic de dupla embreagem e sete marchas trabalha em conjunto com a tração integral quattro e com o diferencial traseiro Torque Splitter. O resultado técnico permite ao modelo acelerar de 0 a 100 km/h em 3,8 segundos.
Entretanto, participar de uma escolta em vias abertas não significa transformar a estrada em pista. Respeitando os limites e as condições do trânsito, consegui observar justamente como um automóvel desenvolvido para entregar desempenho convive com situações normais de circulação. O RS 3 responde de forma imediata quando solicitado, mas permite controlar essa potência durante deslocamentos cotidianos. A experiência também estabeleceu uma conexão entre aquilo que eu conduzia e o motivo do evento: um automóvel da divisão esportiva da Audi acompanhando fisicamente a chegada de um símbolo do próximo capítulo da marca nas competições.
O restante da escolta ajudava a contar diferentes momentos dessa história. O TT RS, cuja produção terminou em 2023 depois de 25 anos, também utilizou o motor 2.5 turbo de cinco cilindros com 400 cv. Já o R8 representa outro período da trajetória esportiva da fabricante. Lançado em 2007, passou por duas gerações, utilizou motores V8 e V10 e encerrou sua produção após quase 40 mil unidades comercializadas globalmente.
Ao lado deles estavam dois modelos que mostram outros caminhos para desempenho. O RS Q8 Performance utiliza motor 4.0 V8 biturbo de 640 cv e 850 Nm, conjunto que permite acelerar de 0 a 100 km/h em 3,6 segundos. Já o elétrico RS e-tron GT Performance entrega até 925 cv no modo Launch Control e 1.027 Nm, chegando aos 100 km/h em 2,5 segundos. Reunidos em uma mesma formação, esses automóveis transformaram a escolta em uma espécie de linha do tempo móvel da Audi Sport.
Se os esportivos foram responsáveis por chamar a atenção durante o percurso, coube ao Volkswagen Meteor Highline 29.530 realizar o trabalho central daquela operação: transportar o showcar com segurança do Porto de Santos até São Paulo, passando por Vinhedo. O caminhão utiliza motor de 530 cv e pode tracionar até 74 toneladas, além de contar com recursos que permitem acompanhar a operação em tempo real.
Em uma ação cercada por carros desenvolvidos para desempenho, foi justamente o Meteor que carregou a peça que simboliza a próxima etapa da Audi nas pistas. Naquele dia, esportivos, caminhão e showcar dividiram a mesma estrada para transformar uma operação logística em parte da história que a Audi começa a escrever na Fórmula 1.