OpA campanha eleitoral de 2026 começa oficialmente neste domingo (16), e os dois principais candidatos à Presidência da República já deixaram claras suas estratégias ao escolherem os palcos para suas estreias. De um lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) volta ao chão de fábrica que o projetou para a política nacional. Do outro, o senador Flávio Bolsonaro (PL) leva sua candidatura para o cenário que se tornou símbolo do bolsonarismo, a orla de Copacabana.
As escolhas não poderiam ser mais antagônicas e revelam muito sobre o que cada um quer comunicar ao eleitor. Lula aposta na emoção e na memória afetiva do berço do sindicalismo; Flávio, na continuidade de um movimento que tem na figura do pai sua maior referência.
Com um discurso carregado de simbolismo, Lula escolheu o Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), para dar a largada de sua campanha pela reeleição. Não é um local qualquer. Foi ali, naquele gramado, que o então líder metalúrgico comandou as greves do final da década de 1970, desafiando a ditadura militar e dando voz a milhares de trabalhadores.
A campanha petista batizou o evento como "Lula: Onde tudo começou". A ideia é fazer uma viagem ao passado para projetar o futuro, conectando a trajetória de luta do candidato com as conquistas do atual governo. A expectativa é reunir mais de 20 mil pessoas, com caravanas organizadas pelo partido e a mobilização do Sindicato dos Metalúrgicos, que deve levar 3.500 trabalhadores direto das fábricas.
Para Lula, a aposta é clara: emocionar a militância e lembrar ao eleitorado de onde ele veio, destacando sua história como um pilar de sua capacidade de governar. A escolha por São Bernardo, no entanto, também reflete uma realidade que o PT precisa enfrentar: a perda de força no ABC paulista. O partido já governou cinco das sete cidades da região, mas na eleição passada amargou uma derrota significativa, ficando em terceiro lugar em São Bernardo. O ato de hoje busca reacender a chama e reconquistar esse espaço estratégico.
"Ao velho estilo Bolsonaro": A festa na praia de Copacabana
Enquanto Lula aposta na história do trabalho e da resistência, Flávio Bolsonaro escolheu o símbolo máximo do lazer e da boêmia carioca, a praia de Copacabana, para dar o pontapé inicial na sua candidatura .
A escolha do local não é aleatória. A orla se consolidou nos últimos anos como um dos principais pontos de mobilização do bolsonarismo . Foi lá que o ex-presidente Jair Bolsonaro realizou grandes manifestações, como a do 7 de Setembro de 2022, que reuniu dezenas de milhares de apoiadores . Ao repetir o cenário, Flávio busca, mais do que um palanque, um palco que já foi testado e aprovado pela direita, um local onde o "velho estilo Bolsonaro" de fazer política se manifestou com força .
Segundo aliados, o ato terá trio elétrico e a convocação para que os apoiadores vistam as cores verde e amarela, reforçando a associação com seu pai e o movimento que ele lidera . "O primeiro ato tem que ser no Rio, o berço do bolsonarismo", resumiu o coordenador da campanha, Rogério Marinho
Duas almas, uma disputa
As estreias em São Bernardo e Copacabana ilustram perfeitamente o duelo que se desenha para os próximos meses.
· Lula busca na memória afetiva e na história de luta dos trabalhadores o combustível para sua campanha, tentando unir a base petista com a defesa do legado de seu governo .
· Flávio, por sua vez, se agarra à imagem de força, lazer e pertencimento que a praia de Copacabana e os atos bolsonaristas representam, tentando herdar a mobilização que seu pai construiu .
A aposta do petista é no passado que construiu seu presente. A aposta do bolsonarista é no presente (a herança do pai) para construir seu futuro. Uma é a história de uma luta de classes; a outra, a história de uma família e de um movimento de rua que se apropriou de símbolos nacionais. A definição do próximo presidente do Brasil passará, necessariamente, por essa escolha de narrativas.