Hoje é 4 de julho. Não é um dia qualquer. É um dia especial. É o dia em que o Piauí comemora, com gratidão, os 76 anos da professora Regina Sousa. Sopramos 76 velas de uma história que parece poesia.
Regina nasceu em União. Era a quinta filha entre catorze, e aprendeu com a terra o que nenhum livro ensina. Aos dez anos, já sabia plantar feijão, milho, fava e, principalmente, resistir. Filha de Raimundo e Maria, "moradores em terra alheia", a menina cresceu vendo os pais lutarem por um pedaço de chão. Acho que daí nasceu seu destino: ser a voz de quem sempre foi silenciado.
Ela foi quebradeira de coco babaçu. É importante repetir: QUEBRADEIRA DE COCO. Suas mãos, que um dia partiram cocos para sustentar a família, décadas depois governariam o Palácio de Karnak. Não é bonito? Não é justo? .
A menina da roça não se contentou com a sina. Estudou. Formou-se em Letras pela UFPI, com habilitação em francês, imagine! Tornou-se professora em 1971, ainda na ditadura. Foi na universidade que descobriu o movimento estudantil, e ali, em plena noite escura do país, começou a acender sua chama política.
Em 1983, ingressa, por concurso, no Banco do Brasil. E foi entre os bancários que Regina mergulhou no sindicalismo, ajudou a fundar a CUT no Piauí, conheceu Wellington Dias. Não apenas um parceiro político, mas um irmão de lutas. Juntos, construíram uma história que mudaria o estado.
Regina presidiu o PT por seis mandatos. Não é uma petista qualquer. É petista raiz, daquelas que carregam o partido na alma, que defendem o projeto com unhas e dentes. Uma reserva moral e ética da sigla, porque coerência, nos dias de hoje, virou artigo raro, e ela nunca abriu mão da sua.
Foi a primeira mulher senadora do Piauí. Em 2022, com a renúncia de Wellington Dias para disputar o Senado pela segunda vez, assumiu o governo. Não como interina e sim como a primeira governadora efetiva do estado. Negra e ex-quebradeira de coco.
Ao assumiu o governo avisou: "Não procurem Wellington em mim". E tinha razão. Seu governo cheirou a terra, a social, a justiça. Entregou títulos de terra a comunidades tradicionais. Priorizou os pobres. Porque, no fundo, a menina que plantava feijão nunca esqueceu a origem.
No Senado, presidiu a Comissão de Direitos Humanos, trouxe o debate sobre meio ambiente, proteção social. Mesmo aposentada da vida pública, seguiu como secretária de Assistência Social, porque Regina não sabe viver longe dos que precisam.
Neste 4 de julho, 76 anos não celebram apenas idade. Celebram a prova viva de que as mãos que partiram cocos podem governar um estado. Que a professora ensina muito além da sala de aula. Que a mulher negra e sindicalista tem lugar em qualquer palácio. Ela mostra que o lugar da mulher é onde ela quiser.
Parabéns, Regina!!
Eu sou seu fã!!
Você é a síntese da resistência e a aposta na esperança. E nos lembra, todos os dias, que o céu não é o limite. É só o começo.